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Estreito de Ormuz coloca petróleo sob pressão e pode impactar preços no Brasil

Dependência direta é baixa, mas alta do Brent pode pressionar inflação e combustíveis

Por Carolina Ferraz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 mar 2026, 15h52 • Atualizado em 3 mar 2026, 15h58
  • O fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo, reacendeu dúvidas sobre o impacto para o Brasil. Afinal, quanto o país depende do petróleo que sai do Golfo Pérsico?

    Segundo o presidente-executivo da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sergio Araujo, a exposição direta do Brasil é limitada. “O Brasil importa menos de 1% de petróleo da Arábia Saudita”, afirma. Mesmo com a interrupção no fluxo pela região, o impacto físico sobre o abastecimento brasileiro será reduzido. De acordo com a Abicom, os três principais fornecedores de petróleo para o Brasil atualmente são Arábia Saudita, Argélia e Estados Unidos.

    Impacto não é físico, mas financeiro

    Mesmo com baixa dependência direta, o Brasil não está isolado dos efeitos de uma eventual escalada no Golfo. O Estreito de Ormuz é corredor estratégico para exportações de grandes produtores como Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque. Qualquer bloqueio tende a pressionar os preços internacionais do barril.

    Como o petróleo é uma commodity precificada globalmente, uma disparada nas cotações impactaria diretamente os custos de importação de derivados, como diesel e gasolina, e poderia pressionar os preços internos, ainda que o país seja grande produtor.

    Efeito sobre combustíveis e inflação

    Se o fechamento do Estreito provocar alta consistente do Brent, referência internacional, a pressão pode se refletir na política de preços da Petrobras e nas importações privadas realizadas por distribuidoras. Isso pode elevar o custo dos combustíveis no mercado doméstico e gerar efeitos em cadeia sobre transporte e inflação.

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    Além da questão logística, o principal risco está na escalada dos preços internacionais. O barril do Brent já avançou e se aproxima da faixa entre 80 e 100 dólares, com projeções de que possa ultrapassar esse patamar caso um eventual bloqueio no Estreito de Ormuz se prolongue.

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    Para Luiz Arthur Hotz Fioreze, diretor de portfólio da Oryx Capital, o impacto tende a ser imediato nas principais economias. “O preço do barril de petróleo (Brent) já disparou, aproximando-se da marca de 100 dólares, com projeções de que possa superar esse patamar caso o bloqueio se prolongue. Para os Estados Unidos, o impacto é direto e imediato”, afirma.

    Segundo ele, o aumento da gasolina é um dos componentes mais sensíveis do CPI (Índice de Preços ao Consumidor) americano. Além do efeito direto nos combustíveis, o choque de energia se espalha pela cadeia produtiva, elevando custos de transporte e produção e dificultando a convergência da inflação para a meta de 2%.

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