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Especialistas alertam para riscos e distorções no mercado de energia em discussão no Brasil

Representantes da CCEE e da Delta debatem liberdade no setor, subsídios controversos e os desafios técnicos da transição energética

Por Carolina Ferraz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 29 set 2025, 10h23 • Atualizado em 29 set 2025, 11h14
  • O debate sobre os rumos do setor elétrico brasileiro ganhou novos capítulos nas últimas semanas, com posicionamentos firmes de executivos que estão à frente da discussão. Alexandre Ramos, presidente da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), e Max Xavier Lins, presidente da Delta Energia, apontaram tanto oportunidades quanto riscos na forma como o Brasil conduz a transição para fontes renováveis e a abertura do mercado livre durante o Veja Fórum de Energia Elétrica.

    Para Alexandre Ramos, a liberdade de escolha do consumidor deve ser o centro do processo. “A verdadeira força de um país está em garantir liberdade de escolha aos seus cidadãos. No setor elétrico, isso significa permitir que cada consumidor decida de quem comprar a sua energia, de que fonte e em quais condições adquiri-la”, afirmou. Ele destacou ainda que a abertura do mercado livre não é apenas um ganho para os consumidores, mas também um marco institucional. “Representa um avanço para o país, ao atrair investimentos, estimular a competitividade e acelerar a transição energética”, disse.

    O dirigente da CCEE também defendeu que essa abertura deve ocorrer de forma contínua, previsível e sustentável, com atenção ao equilíbrio de encargos e subsídios, à saúde financeira das distribuidoras e à segurança operacional. “A CCEE está preparada para viabilizar a abertura do mercado livre para todos os consumidores brasileiros, assim que houver definição do marco legal e a devida regulamentação”, ressaltou Ramos.

    Já Max Xavier Lins, presidente da Delta Energia, questionou os efeitos da política de subsídios e alertou para a fragilidade do sistema diante da expansão acelerada de fontes intermitentes. “Costuma-se dizer que temos energia barata, mas tarifa cara. Isso é verdade. Entre a produção e o consumo existe uma cadeia de impostos, ineficiências e subsídios que criam esse paradoxo”, afirmou.

    Segundo Lins, embora as energias solar e eólica tenham se popularizado, é preciso garantir confiabilidade ao sistema. “Energia não é toda igual. Apenas as fontes síncronas, como hidrelétricas e térmicas, oferecem inércia elétrica, essencial para a estabilidade do sistema”, destacou. Ele foi incisivo ao criticar a ausência de novos projetos de grande porte: “É um crime de lesa-pátria termos abandonado a construção de hidrelétricas com reservatório. A última grande obra desse tipo foi feita há mais de 20 anos.”

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    O presidente da Delta também apontou contradições na forma como o Brasil lida com sua matriz. “Sofremos de uma certa esquizofrenia: amaldiçoamos as hidrelétricas e rejeitamos combustíveis fósseis, mas esquecemos que sem eles não é possível dar sustentação ao avanço das fontes limpas”, disse. Para ele, o país tem todas as condições de ser líder mundial em transição energética, mas precisa resolver os entraves internos. “O Brasil tem um potencial de ser líder. Somos um case de sucesso, mas o futuro depende de nós, e apenas de nós”, concluiu.

    Os fatos que mexem no bolso são o destaque da análise do VEJA Mercado:

     

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