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Escala 6×1: as novas gerações não aceitam e a mudança virá de qualquer jeito

A economista Carla Beni foi a entrevistada desta quinta-feira no programa Mercado e falou sobre a aprovação do fim da escala 6x1 na CCJ do senado

Por Veruska Costa Donato 11 dez 2025, 11h16 •
  • A economista Carla Beni, professora da FGV e conselheira do Corecon-SP, tem repetido um alerta que muita gente tenta ignorar: a escala 6×1 — o trabalhador que folga só um dia na semana — não sobreviverá ao futuro do trabalho, com ou sem mudança constitucional. E não é ideologia, nem vontade política. É economia pura.

    Segundo Carla, a discussão no Senado sobre a PEC que reduz a carga semanal de 44 para 36 horas, de forma gradual, apenas legaliza um movimento que o mercado já começou a fazer sozinho. Supermercados, por exemplo, não conseguem mais contratar para abrir novas unidades. A pergunta que os candidatos fazem antes do salário é outra:
    “Eu vou trabalhar todo domingo?”

    A geração pós-pandemia renegociou suas prioridades — e qualidade de vida virou item de primeira necessidade. Para Carla, insistir que negócios vão falir com jornadas menores é ignorar que muitas empresas já reduziram horas e, mesmo assim, aumentaram produtividade e melhoraram retenção de talentos. Quem vier depois, diz ela, chegará atrasado no jogo.

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    Mas há uma camada econômica mais profunda: a resiliência do mercado de trabalho brasileiro, moldada por décadas de juros altos. Como explica Carla, o país transformou o varejo em um sistema paralelo de crédito — lojas vendem roupas, mas cobram embutidos 8% ao mês em parcelamentos; pequenos comércios sobrevivem antecipando recebíveis; consumidores drenam renda para juros. Nesse ambiente, inadimplência crescente e sucessivos programas “Desenrola” revelam que o ciclo atual não fecha mais.

    Por isso, mudanças trabalhistas não são apenas sociais; são uma tentativa de reorganizar uma economia que está batendo no limite.

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    Na visão de Carla, a evolução das jornadas é inevitável, porque o mercado já não consegue suprir sua própria mão de obra no modelo antigo. E ela deixa um recado para o empresariado mais resistente:

    “Os que demorarem a se adaptar terão mais dificuldade — porque, além de tudo, não vão conseguir contratar.”

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