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Entenda como funciona a previdência privada

Investimento de longo prazo é voltado para quem quer complementar a renda da aposentadoria e independente do sistema público

Por Larissa Quintino - Atualizado em 24 out 2019, 09h41 - Publicado em 23 out 2019, 15h00

A reforma da Previdência, além de fixar uma idade mínima para a aposentadoria, encerrando vai mudar as regras de cálculo do benefício, partindo de 60% da média salarial e chegando aos 100% apenas após três décadas e meia para mulheres e quatro décadas para os homens. Com isso, dificilmente o trabalhador conseguirá manter sua renda quando parar de trabalhar. Nesse cenário, o mercado de previdência privada ganha força mirando em quem planeja ter uma aposentadoria mais tranquila sem depender das contas e variáveis da previdência pública.

Com a iminente aprovação do texto, o mercado se aqueceu. Segundo a  Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), em agosto deste ano houve um salto de 23% em relação ao mesmo período do ano passado nos depósitos de recursos destes planos. Ao todo, entraram no sistema 11,5 bilhões no mês em que o texto foi aprovado em primeiro turno na Câmara dos Deputados. 

Um estudo da consultoria Mercer mostrou que há potencial para o aumento de quatro milhões de clientes para os planos de Previdência Privada nos próximos cinco anos. O salto representa potencial de crescimento de 25%, saindo dos 16 milhões de clientes (cerca de 13 milhões de planos abertos e 3 de planos fechados) atuais para 20 milhões. “A mudança nas regras de aposentadoria pública coloca luz na necessidade de planejamento a aposentadoria”, afirma Felipe Bruno, Líder de Previdência da Mercer Brasil.

O setor previa um incremento ainda maior com a capitalização, sistema de previdência em que o trabalhador contribui para sua própria aposentadoria, diferente do regime de Previdência atual, em que a contribuição de quem está na ativa serve para bancar o benefício de quem já se aposentou. A capitalização foi retirada do projeto durante a tramitação. Inicialmente, a ideia da equipe econômica é voltar a discutir o assunto posteriormente, alterando o sistema para trabalhadores que ainda não entrar no mercado de trabalho.

Apesar da discussão sobre a autorização ou não da capitalização gerar ruído no Congresso, os produtos estão aí e são uma alternativa para quem quiser começar a planejar a aposentadoria e complementar a renda além do benefício que vier a ter direito pelo INSS.

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A Previdência Privada é um sistema de aposentadoria no qual não há ligação com a previdência pública. Existem dois tipos: fechado, que são oferecidos pela empresa apenas a seus funcionários por meio de uma fundação, e aberto, que são disponíveis para qualquer pessoa em bancos ou corretoras. Para gerar os rendimentos, o dinheiro é investido em outros ativos, o que faz os planos de previdência se assemelharem aos fundos de investimentos. O banco investe em ativos que podem variar desde ações a títulos públicos ou privados.

Basicamente, existem dois tipos de previdência privada atualmente. Ambos visam investimento a longo prazo, mas têm modelos diferentes de tributação, o que pode ajudar o consumidor a escolher qual se adéqua mais. No PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre), é possível que sejam deduzidos da declaração anual do Imposto de Renda em até 12% da renda tributável. Porém, quando resgatar, pagará IR sobre todo o valor.

Já no VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre), não há essa dedução. Esse plano não apresenta a vantagem na dedução. Entretanto, no resgate, o imposto incidirá apenas sobre os rendimentos, não sobre o total. Ideal para quem é isento de IR ou faz declaração no modelo simplificado.

Segundo a Fenaprevi, além de decidir qual o modelo, é preciso que o trabalhador busque saber por quanto tempo quer investir, os valores de carregamento (taxa cobrada para investir no plano), por quanto tempo quer receber –se de forma vitalícia ou até uma determinada idade– e de que maneira investir, se mensal ou com aplicações esporádicas.

Escolha seu plano

Os sites de bancos como Bradesco, Itaú, Caixa, Santander e Banco do Brasil têm simuladores de previdência privada. Neles é necessário informar o quanto quer investir e por quanto tempo para ver qual o produto é mais indicado. Seguradoras como a Mapfre e a Icatu também disponibilizam a ferramenta.

Para comparar opções, o investidor pode fazer uma busca no portal Buscaprev, que reúne planos indicados tanto de bancos como de corretoras de seguros, mais indicado dependendo do perfil de investimento. Já o simulador do Meu Bolso Feliz, portal de educação financeira mantido pelo SPC Brasil, mostra qual investimento é mais indicado para o perfil do investidor: se o PGBL, o VGBL ou até mesmo a poupança. 

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