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Enfraquecimento do dólar é objetivo de Trump, diz economista

Desconfiança com EUA reflete na moeda americana

Por Veruska Costa Donato 3 fev 2026, 13h35 •
  • A política econômica de Donald Trump nunca passou despercebida — e, mais uma vez, o dólar está no centro do debate. Entre ameaças de tarifas, recuos estratégicos e discursos duros, o ex-presidente americano sinaliza ao mercado que sua prioridade é interna: reindustrializar os Estados Unidos, mesmo que isso signifique mexer com o valor da moeda mais importante do mundo. O resultado aparece no câmbio, nos fluxos de capital e, claro, chega até a bolsa brasileira.

    Para Daniel Telles, gestor da Valor Investimentos, Trump negocia sempre começando pelo choque. “O jeito do Trump negociar passa por algumas etapas. Ele praticamente coloca o elefante na sala e depois recua”, afirma. Segundo ele, as tarifas são usadas como arma geopolítica, sobretudo contra países que mantêm relações comerciais com a Rússia. “Ele chama esses países de financiadores do caos”, diz, explicando que a ideia é sufocar financeiramente a guerra na Ucrânia. Nesse pacote, entra também o dólar mais fraco como ferramenta para atrair empresas de volta aos EUA.

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    Vantagem dos ‘emergentes’

    Esse movimento, no entanto, não fica restrito às fronteiras americanas. Telles observa que parte relevante da alta recente da bolsa brasileira vem justamente desse redesenho global. “Boa parte do avanço da nossa bolsa se dá por conta do fluxo cambial do dinheiro americano buscando países emergentes”, afirma. Com juros em trajetória de queda nos EUA e mais ruído político por lá, o investidor institucional passa a olhar para mercados como o Brasil, onde a relação risco-retorno parece mais atraente no momento.

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    Sem elegância

    O professor Ricardo Rocha, do Insper, lembra que o jogo de Trump vai além da economia. “Você precisa ter aliados nesse tabuleiro”, diz, ao citar a importância estratégica da Índia como contraponto à China. Rocha critica a forma, mas entende o objetivo. “As negociações do Trump não têm elegância nenhuma, mas ele tenta fazer o que acha melhor para o país”, afirma. No pano de fundo, está uma questão antiga: a perda de capacidade industrial americana desde os anos 90, quando fábricas migraram para a Ásia em busca de custos mais baixos.

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    Enfraquecimento do dólar

    Já Thiago Calestine, sócio da DOM Investimentos, resume a estratégia cambial como um “Acordo de Mar-a-Lago”, em referência ao Plaza Accord dos anos 1980. “É um esforço para enfraquecer o dólar, ganhar competitividade nas exportações e trazer a manufatura de volta”, explica. No Brasil, ele lembra que o dólar funciona como um “airbag”: quando o medo aparece, a moeda americana sobe. A queda recente, porém, tem outra origem. “O real não se valorizou por mérito interno. Foi o dólar que perdeu valor contra todas as divisas”, afirma. Enquanto isso, o país segue atraindo capital porque “exporta juros”, o que mantém o câmbio, segundo ele, orbitando entre R$ 5,20 e R$ 5,30.

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