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Empresários argentinos apoiam protecionismo de Moreno

Por Francisco Carlos de Assis

São Paulo – Se o estilo duro e pouco convencional de fazer comércio exterior executado pelo secretário do Interior da Argentina, Guillermo Moreno, virou alvo de críticas da comunidade internacional, internamente, tem o apoio dos argentinos. É o que afirmaram alguns dos 540 empresários argentinos que acompanham Moreno na Rodada de Negócios Argentina-Brasil, realizada nesta terça-feira, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista.

Muitos dos empresários presentes ao encontro também evitaram falar com jornalistas brasileiros, o que pode ser interpretado como receio das consequências de desobedecer à recomendação expressa do secretário e da embaixada argentina, de que não conversassem com a imprensa. O próprio secretário Guillermo Moreno não quis conceder entrevistas em São Paulo.

Os poucos que se arriscaram a falar, entretanto, mostraram um discurso afinado, inclusive aqueles que pediram para não serem identificados. Para os empresários, o secretário e a Casa Rosada, sede do governo da Argentina, estão corretos em proteger o mercado argentino do Brasil, que teria uma economia protecionista. “Hoje o saldo comercial entre os dois países é deficitário em US$ 4 bilhões para a Argentina”, disse um empresário que pediu para não ter nome, empresa e setor em que atua identificados. “Há que ter mais equilíbrio”, completou.

Outro executivo, do ramo de autopeças, considera as barreiras contra produtos brasileiros pertinentes porque, segundo ele, o governo brasileiro faz a triangulação comercial, que permite que importados da China sejam exportados à Argentina com preços inferiores aos custos para fabricação dos mesmos produtos pela indústria argentina. Triangulação é o recurso usado por um país para acessar um determinado mercado consumidor sem pagar as taxas que lhe são impostas, usando um terceiro país para exportar seus produtos.

“O Brasil tributa os produtos argentinos, mas exporta para Argentina produtos que são produzidos na China a um custo baixo”, reclama outro empresário. Como seu colega, ele defende que haja entre Brasil e Argentina um acordo para que os negócios sejam ampliados, mas de forma que o saldo comercial entre os dois países atinja um equilíbrio.

“O Brasil sempre protegeu seus mercados, mas agora está mais protecionista”, disse Mario Edmundo Gil, da fabricante de autopeças Litton, do grupo Friction Lab, único empresário argentino que permitiu ser identificado. “Ninguém me diz o que posso ou não falar”, surpreendeu o argentino. De acordo com ele, a Argentina não protege seus mercados. Importa de qualquer lugar do mundo e permite qualquer empresa estrangeira se instalar em solo argentino.

“É necessário mudar esta mentalidade”, cobrou. Ele reconhece que há uma briga política envolvendo todo esta questão comercial entre Brasil e Argentina que atrapalha muito. “Este encontro se propõe a fazer com que o brasileiro importe mais da Argentina. O negócio tem que ser bom para os dois lados”, comentou.