Em um ano, a cesta básica ficou R$ 2,60 mais cara
Conta é feito pelo Dieese e leva em consideração os preços de São Paulo, onde o preço da cesta completa chegou a R$ 854 em janeiro
Não é só impressão: depois de passar por disparadas bastante desconfortáveis desde o início da pandemia, em 2020, até o começo do ano passado, os preços dos alimentos vêm dando uma trégua nos meses recentes. Em janeiro, a inflação do supermercado, medida pelos preços da alimentação no domicílio, acumulava alta de apenas 0,5%, ou quase zero, em um ano, de acordo com os números do IPCA, o indicador oficial de inflação do IBGE. No mesmo período, a inflação geral é de em 4,4%.
Em janeiro do ano passado, quando itens como ovo, café ou carne chegavam a preços exorbitantes, a inflação dos alimentos passou dos 7% e virou até assunto de governo. A aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva derreteu e o Planalto chegou até a criar um comitê de crise com empresários e ministros para pensar em medidas que ajudassem a aliviar o aumento dos preços.
Com o apoio do dólar mais baixo e de safras recordes que ajudaram o campo no ano passado, os preços da comida entram em 2026 bem mais comportados. O levantamento mensal feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que, em janeiro, o preço da cesta básica na cidade de São Paulo, a mais cara do país, teve um aumento de apenas 0,3% em um ano. Ela saiu de 851,80 reais, em janeiro de 2024, para 854,40 no último mês. É um reajuste de 2,60 reais para o carrinho completo. Veja ao fim os preços e as variações para todas as capitais pesquisadas.
A cesta do Dieese é calculada em parceria à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e acompanha a variação dos preços dos 13 itens mais comprados pelo brasileiro para a sua mesa, bem como as suas quantidades necessárias para sustentar uma família: carne, leite, feijão, arroz, farinha, batata, tomate, pão, café, banana, açúcar, óleo e manteiga. Desses treze, oito estão mais baratos, caso do óleo (-3,9%), do leite (-10,6%) e do arroz (-24%).
Um salário compra mais
Ao menos para as pessoas que tiveram aumento salarial igual ou maior do que a inflação, que ficou perto de 4% no ano passado, a impressão relativa é de que a cesta básica como um todo ficou mais barata, já que o aumento total dela foi menor.
O salário mínimo, por exemplo, que é anualmente reajustado acima da inflação, está 6,8% maior do que no ano passado desde o início de janeiro. Ele subiu de 1.518 para 1.621 reais de um ano para o outro, o que significa 103 reais a mais por mês. Com isso, a proporção retida do salário para comprar a cesta completa caiu de 56%, há um ano, para 53% agora.
Redução de até 38 reais
A conta do Dieese é que, para o caso de São Paulo, uma pessoa que ganhe o salário mínimo precisou trabalhar 115 horas no mês, ou 14 dias considerada a jornada de 8 horas, para comprar a cesta básica.
Em algumas cidades, por outro lado, a cesta básica está até mais barata. É o caso de Natal, onde houve a maior queda, de 6%, e de Aracaju, quem tem a cesta mais barata do Brasil, com redução de 3,3% em um ano.
Em Aracaju, está 18 reais mais barato comprar a cesta básica, que saiu de 571 reais para 553 reais entre janeiro do ano passado e janeiro deste ano. Em Natal, a redução chega a 38 reais, com queda de 634 reais para 595 reais em um ano. Das 17 capitais verificadas pelo Dieese, nove chegaram ao fim de janeiro com a cesta básica mais barata.





