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Em tentativa de ‘facelift’, o Facebook se chamará Meta

Mark Zuckerberg, CEO da companhia, afirma que a estratégia da empresa se volta para a realidade virtual; marca enfrenta escândalos do 'Facebook Papers'

Por Larissa Quintino, Luisa Purchio Atualizado em 28 out 2021, 16h43 - Publicado em 28 out 2021, 16h17

O Facebook Inc. anunciou nesta quinta-feira, 28, que irá mudar de nome. A empresa passa a se chamar Meta, separando a identidade jurídica da rede social homônima que deu origem à corporação. A empresa de Mark Zuckerberg enfrenta uma das maiores crises de sua história após o vazamento dos “Facebook Papers”, uma série de documentos vazados com mensagens de ex-funcionários que revelam o funcionamento da empresa e a “busca do lucro acima da segurança”. 

A empresa disse que suas ações começarão a serem negociadas sob um novo código, MVRS, em 1º de dezembro. A mudança de nome, segundo Zuckerberg, marca a mudança de foco da empresa, que pretende mudar seu foco principal para uma plataforma de computação focada na emergente tecnologia de realidade virtual. “O metaverso é a próxima fronteira”, disse o CEO, Mark Zuckerberg, em uma apresentação na conferência Connect do Facebook, realizada virtualmente na quinta-feira. “De agora em diante, iremos primeiro ao metaverso, não ao Facebook.”

A crise da rede social se agravou após a ex-gerente de produtos da empresa Frances Haugen enviou um dossiê para a Comissão de Valores Mobiliários (SEC, na sigla em inglês) com documentos que mostram que o Facebook tinha consciência dos malefícios que pode causar aos internautas. Desde que Frances revelou as acusações, a empresa tenta desacreditar a denunciante dizendo que ela não possuía conhecimento acerca dos documentos que divulgou. Ainda afirma que existem outros dossiês que podem desmentir o que a ex-funcionária contou em entrevista à rede de TV americana CBS e enviou à SEC. Em comunicado, a empresa declarou que irá investir mais de 5 bilhões de dólares em segurança e integridade.

Rumo

O metaverso ao qual se refere o CEO da companhia é uma ideia nascida na imaginação de romancistas de ficção científica. Na visão do Facebook, as pessoas se reunirão e se comunicarão entrando em ambientes virtuais, seja conversando com colegas em uma sala de reuniões ou saindo com amigos em cantos remotos do mundo. Algumas tentativas de popularização da tecnologia acontecem desde os anos de 1980 e uma das mais famosas dela foi a plataforma Second Life, que alcançou um breve sucesso na primeira década do novo milênio.

A mudança de nome e de posicionamento,  segundo analistas, responde a um movimento difícil,  já que não há mudança significativa no funcionamento da corporação. “Mudar o nome, desrelacionado com investimento em inovação não é nada, vai continuar a mesma coisa. O problema não é o nome, é uma ausência de estratégia mais efetiva de inovação. Era mais fácil a marca Facebook se reposicionar do que criar outra. Se o problema for reputação e a corporação for a mesma, o Mark Zuckerberg não vai sair”, afirma Eduardo Tomiya, CEO da consultoria de marcas TM20 branding.

“É natural na evolução das marcas e empresas que efeitos indesejados acabem aparecendo e as empresas devam corrigi-los para se manterem competitivas. O que mais impacta negativamente a marca Facebook, é exatamente o contrário. Mesmo sabendo dos malefícios da utilização do seu algoritmo, continuou a mirar somente o lucro e esqueceu do bem-estar de seus usuários. Isso é muito ruim para imagem e reputação da marca, pois caso eles tivessem sinalizado e melhorado a navegação do algoritmo, essa crise de imagem não estaria acontecendo tão gravemente”, diz Eduardo Chaves, diretor da Brand Finance. Segundo ele, o momento da mudança de nome não é o melhor, já que a empresa está visada pelo episódio do Facebook Papers. “Nesse momento de crise, é um pouco arriscado para o Facebook fazer a mesma estratégia, uma vez que a marca está em voga e esses holofotes podem focar a visão do consumidor no problema que está voltado para ela”. Por outro lado, segundo o especialista, a estratégia poderá trazer mais independência para as outras marcas do grupo, como as plataformas Instagram e WhatsApp, inclusive protegendo-as de eventuais ações negativas que continuem a surgir, visto que manter o nome Facebook como alcunha institucional pode fazer com que outras marcas do grupo também percam imagem por associação.

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