Clique e assine com até 92% de desconto

Em Davos, Tombini admite: ‘Crescer 2% não é suficiente. Precisamos fazer mais’

Presidente do BC integrou debate sobre política monetária com representantes dos BCs da Grã-Bretanha, Japão, Suíça e com o ex-secretário do Tesouro americano. Questionado sobre políticas do governo, não convenceu os demais

Por Ana Clara Costa, de Davos 24 jan 2014, 08h10

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, defendeu nesta sexta-feira a política monetária clássica, baseada no ajuste da taxa básica de juros, como forma de combater a inflação. Tombini participou de painel sobre política monetária durante a manhã no Fórum Econômico Mundial, em Davos, dividindo o auditório com o chanceler britânico George Osborne, os presidentes dos BCs do Japão e da Suíça, Haruhiko Kuroda e Thomas Jordan, e o ex-secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Larry Summers. Ele integra a comitiva econômica do governo para “melhorar” a imagem do Brasil junto ao mercado internacional. Antes do debate, Tombini palestrou durante um café da manhã fechado à imprensa com investidores e ministros das Finanças de outros países.

Leia também:

Em Davos, Mantega elogia China e culpa desenvolvidos

Empregos são armas de combate ao terror, diz presidente do Irã

O painel sobre política monetária foi praticamente dominado pela troca de farpas irônicas entre o chanceler britânico e Summers, que discordaram sobre o uso da política fiscal para promover o crescimento. Summers defendeu um viés expansionista, enquanto Osborne afirmou não haver “almoço grátis”, referindo-se à necessidade de colocar em prática ajustes orçamentários para equilibrar os gastos públicos. “Investimento público é necessário, mas alguém precisa tomar as decisões difíceis para acomodar os gastos extras no orçamento”, afirmou.

Continua após a publicidade

Leia também:

BC eleva previsão de inflação e indica: alta dos juros pode seguir

Diante do duelo cheio de sarcasmo entre os dois, sobrou pouco espaço para os demais BCs brilharem. Tombini se manifestou apenas quando questionado pelo moderador Geoff Cutmore sobre a inflação no Brasil e sobre os efeitos do fim dos estímulos do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) nas economias emergentes. Sobre inflação, o presidente do BC afirmou que a política monetária tem funcionado para desacelerar o avanço dos preços, mas a desvalorização do real ante o dólar “milita contra a conversão da inflação para o centro da meta”. Ele ainda citou a queda de um ponto porcentual do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desde que o indicador atingiu seu pico de 6,7%, em junho do ano passado.

Questionado sobre o que o governo tem feito para ajudar a política monetária a cumprir seu papel, o presidente do BC citou os estímulos para tentar promover o crescimento, como as concessões de infraestrutura, gastos com educação e uma agenda de combate à inflação voltada para o lado da oferta – todos os pontos que compõem uma cartilha expansionista. “Também usamos as medidas macroprudenciais para conduzir o crédito para um nível estável”, afirmou. Contudo, as ações citadas por Tombini não convenceram, já que Cutmore o questionou novamente. O ponto extremamente lógico do moderador era: se tudo foi feito de maneira tão correta, por que o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) seria um crescimento de apenas 2%? “Crescer 2% não é o suficiente. Precisamos fazer mais”, respondeu o presidente do BC, mudando rapidamente de assunto para falar sobre políticas macroprudenciais.

Tombini acompanha a agenda da presidente Dilma, que discursará em Davos nesta sexta, e deverá deixar a estação de esqui suíça no final da tarde.

Continua após a publicidade
Publicidade