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Em Davos, Tombini admite: ‘Crescer 2% não é suficiente. Precisamos fazer mais’

Presidente do BC integrou debate sobre política monetária com representantes dos BCs da Grã-Bretanha, Japão, Suíça e com o ex-secretário do Tesouro americano. Questionado sobre políticas do governo, não convenceu os demais

Por Ana Clara Costa, de Davos 24 jan 2014, 08h10

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, defendeu nesta sexta-feira a política monetária clássica, baseada no ajuste da taxa básica de juros, como forma de combater a inflação. Tombini participou de painel sobre política monetária durante a manhã no Fórum Econômico Mundial, em Davos, dividindo o auditório com o chanceler britânico George Osborne, os presidentes dos BCs do Japão e da Suíça, Haruhiko Kuroda e Thomas Jordan, e o ex-secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Larry Summers. Ele integra a comitiva econômica do governo para “melhorar” a imagem do Brasil junto ao mercado internacional. Antes do debate, Tombini palestrou durante um café da manhã fechado à imprensa com investidores e ministros das Finanças de outros países.

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O painel sobre política monetária foi praticamente dominado pela troca de farpas irônicas entre o chanceler britânico e Summers, que discordaram sobre o uso da política fiscal para promover o crescimento. Summers defendeu um viés expansionista, enquanto Osborne afirmou não haver “almoço grátis”, referindo-se à necessidade de colocar em prática ajustes orçamentários para equilibrar os gastos públicos. “Investimento público é necessário, mas alguém precisa tomar as decisões difíceis para acomodar os gastos extras no orçamento”, afirmou.

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Diante do duelo cheio de sarcasmo entre os dois, sobrou pouco espaço para os demais BCs brilharem. Tombini se manifestou apenas quando questionado pelo moderador Geoff Cutmore sobre a inflação no Brasil e sobre os efeitos do fim dos estímulos do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) nas economias emergentes. Sobre inflação, o presidente do BC afirmou que a política monetária tem funcionado para desacelerar o avanço dos preços, mas a desvalorização do real ante o dólar “milita contra a conversão da inflação para o centro da meta”. Ele ainda citou a queda de um ponto porcentual do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desde que o indicador atingiu seu pico de 6,7%, em junho do ano passado.

Questionado sobre o que o governo tem feito para ajudar a política monetária a cumprir seu papel, o presidente do BC citou os estímulos para tentar promover o crescimento, como as concessões de infraestrutura, gastos com educação e uma agenda de combate à inflação voltada para o lado da oferta – todos os pontos que compõem uma cartilha expansionista. “Também usamos as medidas macroprudenciais para conduzir o crédito para um nível estável”, afirmou. Contudo, as ações citadas por Tombini não convenceram, já que Cutmore o questionou novamente. O ponto extremamente lógico do moderador era: se tudo foi feito de maneira tão correta, por que o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) seria um crescimento de apenas 2%? “Crescer 2% não é o suficiente. Precisamos fazer mais”, respondeu o presidente do BC, mudando rapidamente de assunto para falar sobre políticas macroprudenciais.

Tombini acompanha a agenda da presidente Dilma, que discursará em Davos nesta sexta, e deverá deixar a estação de esqui suíça no final da tarde.

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