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Em caminhos opostos, Galípolo conquista mercado e Haddad esgota capital político

Com 2026 no horizonte, a expectativa de que a Fazenda implemente um ajuste fiscal consistente desapareceu

Por Juliana Elias Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 dez 2025, 06h00 • Atualizado em 24 dez 2025, 14h20
  • Quando Gabriel Galípolo, o escolhido do presidente Lula para comandar o Banco Central, assumiu o cargo, em 1º de janeiro de 2025, encontrou um ambiente carregado de desconfiança. O mercado financeiro vivia um de seus piores momentos, com a credibilidade do governo à míngua e o dólar acima de 6 reais. O temor de que o novo chefe do BC cedesse às pressões do Planalto, em vez de conduzir o aperto de que a economia precisava, também pesava. Ao fim do primeiro dos quatro anos de mandato, porém, Galípolo parece ter conquistado a confiança dos investidores com a firmeza com que manteve um dos ciclos de alta de juros mais agressivos já promovidos pelo Banco Central. A Selic está em 15% ao ano desde junho, o maior nível desde 2006, enquanto a inflação começa, aos poucos, a ceder.

    A situação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, é bem diferente. Também apadrinhado de Lula, ele chegou a viver um breve período de boa vontade com o mercado no primeiro ano de governo, impulsionado por vitórias como a aprovação da reforma tributária e do arcabouço fiscal. Ao entrar no último ano, porém, Haddad chega com o capital político esgotado e as contas públicas deterioradas. O Orçamento federal caminha para fechar todo o ciclo de Lula no vermelho, e a dívida pública, que no início de 2023 equivalia a 71% do PIB, se aproxima de 80%. A estratégia de atacar o rombo pelo lado da receita, com sucessivos aumentos de impostos sem um plano de controle de gastos, já não consegue acompanhar a escalada das despesas.

    Além de insuficiente, o expediente passou a encontrar resistência. Em junho, parlamentares derrubaram os decretos de Lula que elevavam a cobrança de IOF, com potencial de arrecadação de 41 bilhões de reais por ano. Em outubro, a Câmara sepultou a medida provisória de Haddad que buscava mais 20 bilhões de reais ao taxar investimentos e bets. Com 2026 no horizonte, a expectativa de que a Fazenda implemente um ajuste fiscal consistente desapareceu. E a aritmética é implacável: quanto mais frouxa a política fiscal, mais rígida precisa ser a política monetária para evitar que o pouco que resta de credibilidade econômica também se dissipe.

    Publicado em VEJA de 24 de dezembro de 2025, edição nº 2976

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