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Economista diz que Brasil ‘segue exemplo de Trump’ com alta no imposto de importação

Diretor executivo da Instituição Fiscal Independente critica medida adotada por Fernando Haddad

Por Veruska Costa Donato 27 fev 2026, 13h20 •
  • O aumento do imposto de importação sobre mais de mil itens ganhou uma leitura mais técnica — e mais crítica — nas palavras de Marcus Pestana, diretor-executivo da IFI (Instituição Fiscal Independente). Para ele, a dúvida central não é comercial, mas fiscal: o governo está regulando ou arrecadando? Pestana lembra que, em dezembro, houve pedido para ajustar o Orçamento prevendo R$ 14 bilhões extras com o imposto de importação. E aí acende a luz amarela.

    Regulação

    Historicamente, o imposto de importação tem caráter regulatório — serve para calibrar o comércio exterior, não para encher os cofres. Representa cerca de 3% da receita total. Quando passa a ser usado com foco arrecadatório, segundo Pestana, há uma mudança de lógica. “Fecha-se o orçamento”, mas abre-se um debate sobre coerência econômica. Em outras palavras: o instrumento deixa de ser técnico e vira ferramenta de caixa.

    IOF

    Ele faz um paralelo com o IOF, outro tributo de natureza regulatória. O governo já recorreu a ele para reforçar receitas, e janeiro registrou arrecadação recorde, com contribuição relevante desse imposto. O padrão, na visão do diretor da IFI, sugere que mecanismos criados para ajustar crédito e fluxo financeiro estão sendo usados para fortalecer o resultado fiscal no curto prazo.

    Brasil imitando Trump?

    Marcos Pestana recorre ao exemplo do governo de Donald Trump para reforçar o que considera uma incoerência e um risco na estratégia brasileira. Ele lembra que o Brasil criticou duramente o tarifaço aplicado pelos Estados Unidos ao mundo — e ao próprio Brasil — defendendo multilateralismo e integração comercial. Agora, ao elevar o imposto de importação, adotaria postura semelhante àquela que condenou. Além da contradição diplomática, Pestana aponta a ineficácia prática: segundo ele, o tarifaço de Trump não gerou o prometido renascimento industrial americano, e os dados mais recentes mostram isso. Para o diretor da IFI, o recado é claro — protecionismo pode até soar como defesa da indústria nacional, mas raramente entrega modernização e competitividade no longo prazo.

    Tiro no pé

    Do ponto de vista industrial, Pestana é direto: a medida pode ser um “tiro no pé”. A indústria nacional não consegue substituir rapidamente máquinas e equipamentos importados. O empresário continuará comprando de fora, só que mais caro. Resultado? Mais arrecadação para o governo, pouca modernização produtiva e custo maior na cadeia.

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    Velha armadilha

    Ele vai além e critica o que chama de visão de economia fechada, com “cheiro das décadas de 50 e 60”. Países que escaparam da armadilha da renda média abriram mercados, aumentaram competitividade e investiram em produtividade. Para Pestana, priorizar arrecadação em vez de modernização pode até aliviar o caixa hoje — mas não resolve o desafio estrutural do crescimento amanhã.

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