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Economista avalia inflação: aumento das passagens trouxe ‘efeito dominó’

André Braz da FGV comenta IPCA-15

Por Veruska Costa Donato 27 fev 2026, 12h52 • Atualizado em 27 fev 2026, 12h55
  • Fevereiro trouxe aquela sensação conhecida de que o ano começou para valer — e mais caro. O IPCA-15 subiu 0,84%, bem acima dos 0,20% de janeiro, e o vilão mais visível não foi o supermercado, mas o ponto de ônibus. Reajustes nas tarifas de transporte público em várias capitais deram a largada na inflação do mês, mexendo direto com o orçamento de quem acorda cedo e depende do coletivo todos os dias.

    Ônibus

    O economista e professor da FGV, André Braz, explica que esse movimento tem muito de calendário. Prefeituras costumam concentrar aumentos no começo do ano, e fevereiro capturou esse efeito cheio. Quando a passagem sobe, não é só o trabalhador que sente: o custo maior se espalha pela cadeia de serviços. É o típico efeito dominó que começa na catraca e termina pressionando o índice geral de preços.

    Mensalidades

    Além dos ônibus, fevereiro também teve mensalidades escolares reajustadas — altas entre 7% e 8% no ensino fundamental e médio —, gasolina subindo mais de 1% e alimentação fora de casa mais salgada com o fim das férias. Ainda assim, houve um respiro com a queda de 11% nas passagens aéreas. Para Braz, “a inflação não vai se sustentar nesse patamar”. Março deve mostrar desaceleração justamente porque esses aumentos são pontuais.

    Cenário internacional

    O economista projeta inflação de cerca de 3,8% em 2026, abaixo da meta de 4%. Mas ele não tira os olhos do cenário internacional. Tensões envolvendo Irã e Estados Unidos mexem com o preço do petróleo, e qualquer espirro lá fora pode encarecer combustíveis por aqui — o que, de novo, respinga no transporte.

    Imposto de importação

    Há ainda um ponto no radar: o aumento do imposto de importação para mais de mil produtos, incluindo máquinas e equipamentos industriais. Se a indústria pagar mais caro para produzir, pode repassar parte dessa conta ao consumidor. Por ora, os bens duráveis seguem comportados, com alta de cerca de 2% em 12 meses. Mas fevereiro deixou claro: quando o ônibus sobe, a inflação pega carona.

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