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Dólar sobe para R$ 3,88 após prisão de executiva chinesa

A moeda americana chegou a ser vendida por 3,94 reais mas a alta foi amenizada pela expectativa de queda de juros nos Estados Unidos

O dólar comercial fechou em alta de 0,18%, cotado a 3,875 reais nesta quinta-feira, 6. Foi a terceira alta consecutiva da moeda americana. A prisão de uma executiva chinesa da Huawei intensificou os temores de guerra comercial entre Estados Unidos e China poucos dias depois de um encontro histórico entre os presidentes dos dois países.

Na máxima do dia, a moeda foi a 3,9440 reais e, na mínima, a 3,8772 reais. O dólar futuro tinha avanço de cerca de 1,5%. Nos últimos três dias, a alta acumulada é de 0,85%

“É negativo para a China. E se é negativo para a China, também é para os países emergentes. E o dólar mais forte sugere menos exportações do Brasil”, avaliou a estrategista de câmbio do Banco Ourinvest, Fernanda Consorte.

Meng Wanzhou, vice-presidente financeira da Huawei e filha do fundador da empresa, Ren Zhengfei, foi presa em Vancouver, no dia 1º, e pode ser extraditada para os Estados Unidos por supostas violações de sanções norte-americanas.

A notícia afetou as esperanças de que fossem amenizadas as tensões comerciais entre Estados Unidos e China depois da trégua de 90 dias acertada entre as partes no último sábado.

O episódio é mais um a se somar à aversão ao risco global. Na véspera, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, já tinha dito que seria forçado a responder se os EUA saírem do Tratado de Controle de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF, na sigla em inglês), um dia depois de os americanos darem um ultimato de 60 dias aos russos.

Em meio à tensão geopolítica e guerra comercial, o achatamento da curva de juros americana no começo da semana também levantou preocupações sobre uma possível recessão na maior economia do planeta.

No exterior, o dólar subia ante as divisas emergentes, como o peso chileno e o rublo. Mas passou a cair após dados mais fracos de abertura de vagas no mercado privado norte-americano.

O viés de baixa foi reforçado no exterior –e aliviou a alta doméstica– com a fala do presidente do Federal Reserve de Atlanta, Raphael Bostic. Segundo ele, o banco central dos Estados Unidos está perto da taxa de juros neutra, o que foi recebido pelo mercado como um sinal de menos apertos monetários à frente.

Internamente, os investidores mantinham a cautela com o governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) e indefinições sobre reforma da Previdência e a cessão onerosa do pré-sal.

“Acho que é cedo para sabermos como será a articulação do governo, vamos ter condição de avaliar em janeiro ou fevereiro. Mas o mercado está ansioso. É é mais um ponto negativo a pressionar o câmbio”, acrescentou Fernanda.