Desvalorização do bitcoin só é inferior à da moeda da Venezuela

Moeda virtual registra queda de 58,1% no primeiro semestre e hoje é vendida por cerca de US$ 6.000 - no final de 2017, cotaçao chegou a US$ 14.000

Por Patrícia Basilio - 2 jul 2018, 21h18

O início de 2017 foi um período dourado para o bitcoin – quando chegou a dobrar de valor e a valorizar mais de 2.000%, chegando a ser cotada a US$ 14.000 no final do ano. O primeiro semestre de 2018, no entanto, reservou um cenário exatamente oposto: a moeda virtual caiu 58,1% – hoje é vendida por cerca de US$ 6.000.

A criptomoeda só perde em desvalorização para o bolívar, da Venezuela, que já registrou 99% de perda de valor em relação ao dólar este ano, por conta da crise de hiperinflação do país. O peso argentino e a lira turca, por exemplo, perderam 32,8% e 17,6% do valor em relação à moeda americana, respectivamente.

Segundo Henrique Poyatos, professor de blockchain e criptomoedas da FIAP, a desvalorização do bitcoin não foi surpresa para o mercado e tampouco é representativa. “A moeda valorizou 70% no ano passado e, em um único dia, aumenta 4%. As flutuações são tão expressivas que uma queda de 50% não é tão gigante dentro desse contexto”, explica.

Ainda que exista uma grande especulação sobre o fim da moeda virtual, o professor acredita que o bitcoin é sólido o suficiente para perdurar no mercado. O que falta, no entanto, é sua regulamentação. “O momento [de desvalorização] é favorável a quem quer investir porque há menos demanda do mercado, porém como o bitcoin é intangível, não há regra clara, como existe no mercado de ações. A dica é nunca colocar todo o dinheiro em um único ativo”, aconselha o professor.

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Na hora de comprar outras criptomoedas, contudo, é preciso ter atenção. Há moedas virtuais falsas ou que não se solidificaram e são consideradas “mortas” pelo mercado. Segundo o site Dead Coins, cerca de 820 delas não valem praticamente nada – ou melhor, valem menos de um centavo de dólar.

Na dúvida entre qual escolher, Poyatos indica que o melhor é comprar moedas virtuais já conhecidas, como o próprio bitcoin, o ether e o ripple.

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