ASSINE VEJA NEGÓCIOS

Em vez da picanha barata, aumento de preços e queda no consumo de carnes

Estimativas apontam para ano mais fraco no mercado doméstico, enquanto exterior segue aquecido

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 17 mar 2026, 13h31 • Atualizado em 17 mar 2026, 17h06
  • Ainda em setembro de 2025, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou um relatório apontando para uma provável queda no consumo de carne bovina no Brasil em 2026. A queda em abates e a demanda internacional têm pressionado os preços do alimento, de modo que consumidores brasileiros buscam alternativas mais acessíveis. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) estima que o consumo doméstico de carne bovina deve ficar em 7,6 milhões de toneladas neste ano, uma queda de quase 6% em relação ao recorde registrado em 2024, próximo de 8 milhões de toneladas.

    Por trás desse movimento está o ciclo de abates da pecuária. Após três anos de alto nível de abates de fêmeas, o país passa por uma recomposição de rebanhos, limitando a oferta. A Conab estimou uma queda de 3,5% na produção. Em paralelo, carnes de frango e suínas são vistas como alternativas pelos consumidores, segundo a entidade.

    A demanda contida no mercado interno tem limitado a subida de preços. No estado de São Paulo, o arroba de boi é vendido por 347 reais na segunda quinzena de março, representando uma queda de 1,5% em relação aos valores praticados na semana anterior. Movimento semelhante ocorre no Mato Grosso do Sul e em Rondônia. Já em outros grandes mercados, como Minas Gerais e Goiás, os preços estão estagnados. O consumidor pode constatar que os preços estacionaram neste mês, mas em patamar elevado que restringe as compras.

    O consumo doméstico pode ter perdido fôlego, mas o mesmo não é verdade para o mercado internacional. Exportadores não sofrem com um problema de demanda, mas logístico. O conflito no Oriente Médio envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã é um fator que pressiona os preços da carne bovina para cima. As dificuldades logísticas na região, especialmente no Estreito de Ormuz, elevam o preço do frete e encarecem as mercadorias que passam por lá. Exportadores de carne brasileiros constatam preços elevados no mercado internacional. Antes da eclosão da guerra, exportadores viviam um bom momento — mais otimista do que para produtores que vendem para o mercado interno.

    Em fevereiro, o Brasil exportou 1,44 bilhão de dólares em carne bovina, o melhor resultado da história para o mês, segundo a Abiec. O desempenho superou janeiro e reforça o ritmo acelerado das vendas externas. No acumulado de 2026, já são 2,84 bilhões de dólares faturados, alta de 39,2% sobre o mesmo período do ano passado.

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

    Digital Completo

    O mercado não espera — e você também não pode!
    Com a Veja Negócios Digital , você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    MELHOR OFERTA

    Revista em Casa + Digital Completo

    Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
    De: R$ 26,90/mês
    A partir de R$ 9,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).