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Crise no petróleo faz ANP pressionar Petrobras e acende alerta para riscos no Brasil

Com guerra no Oriente Médio elevando o preço do barril, governo cobra ação da Petrobras, investiga distribuidoras e enfrenta embate com estados

Por Ernesto Neves 19 mar 2026, 18h54 • Atualizado em 19 mar 2026, 18h56
  • A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, a ANP, colocou o abastecimento de combustíveis no Brasil em estado de atenção e adotou medidas emergenciais para evitar descompasso entre oferta e demanda. A decisão ocorre em meio à escalada das tensões no Oriente Médio, que vem pressionando os preços internacionais do petróleo e elevando o risco de impactos diretos no mercado doméstico.

    Segundo a agência, o cenário atual é considerado atípico desde o fim de fevereiro, o que levou à adoção de ações excepcionais. Entre elas está a determinação para que agentes do setor ampliem imediatamente a oferta de gasolina e diesel, além de aumentar a transparência sobre estoques e fluxos de distribuição. Também houve flexibilização regulatória para facilitar a logística e aproximar os combustíveis dos centros de consumo, numa tentativa de evitar gargalos até pelo menos o fim de abril.

    O ponto mais sensível da decisão recai sobre a Petrobras. A estatal foi formalmente instada a recompor volumes que deixaram de ser ofertados após o cancelamento de leilões recentes. Na prática, a ANP cobra uma atuação mais ativa da companhia para estabilizar o mercado, num momento em que o Brasil ainda depende de importações, sobretudo de diesel.

    Além da pressão sobre a Petrobras, distribuidoras, importadores e produtores foram alertados sobre a obrigação de garantir o abastecimento, sob risco de sanções em caso de recusa de fornecimento ou prática de preços considerados abusivos. A agência também prevê o encaminhamento do caso ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade, diante de suspeitas de distorções concorrenciais.

    Essa movimentação regulatória se soma à atuação do próprio governo federal, que já havia acionado o Cade para investigar aumentos considerados desproporcionais nos preços ao consumidor.

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    A avaliação em Brasília é que parte do setor elevou valores antes mesmo de reajustes nas refinarias, usando como justificativa a alta do petróleo no exterior, impulsionada principalmente pelas tensões envolvendo o Irã.

    Nos bastidores, porém, empresas do setor têm sinalizado preocupação real com o abastecimento.

    A volatilidade internacional, combinada com a dependência brasileira de importações, especialmente de diesel, torna o sistema mais vulnerável a choques externos.

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    Ao mesmo tempo, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta conter a pressão inflacionária com medidas fiscais e políticas. Uma das frentes é a tentativa de convencer estados a reduzirem o ICMS sobre combustíveis.

    A proposta, no entanto, enfrenta resistência do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, que argumenta que cortes anteriores já causaram perdas bilionárias sem garantir repasse efetivo ao consumidor.

    Diante do impasse, cresce no governo a avaliação de que pode ser necessário judicializar a questão, aprofundando a disputa federativa em torno do preço dos combustíveis, um tema historicamente sensível no país.

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    No cenário internacional, a guerra no Oriente Médio segue como principal vetor de instabilidade.

    Os confrontos envolvendo o Irã e seus desdobramentos regionais elevaram o risco geopolítico, afetando rotas estratégicas de energia e aumentando o temor de interrupções na oferta global.

    Como reflexo, o petróleo tem operado em alta nos mercados internacionais, com o barril do Brent oscilando em patamares elevados, acima dos níveis observados no início do ano.

    Analistas apontam que, enquanto persistir a incerteza geopolítica, a tendência é de preços pressionados, o que mantém em alerta países importadores como o Brasil e amplia o risco de novos reajustes nos combustíveis.

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