‘Corte de juros vai ser mais rápido e intenso do que o mercado precifica’, diz CEO do BTG
Roberto Sallouti prevê corte de 0,5 ponto em janeiro. Para ele, inflação já não preocupa; o entrave é a combinação de juros altos com ajuste fiscal frágil
Poucos esperam encontrar otimismo no setor bancário, tradicionalmente avesso a apostas agressivas. Mas, para o CEO do BTG, a virada pode vir mais rápido do que os investidores imaginam. “O corte de juros deve ser mais intenso que o mercado precifica”, afirmou Roberto Sallouti durante o Zoox Revolution, que aconteceu na terça-feira, 18, no Hotel Unique, em São Paulo. Seu diagnóstico sugere que o Banco Central poderá abrir 2026 com um ciclo mais acelerado, podendo começar já em janeiro com 50 pontos-base, em vez dos 25 previstos pelo consenso.
A visão contraria a cautela dominante, mas parte de uma leitura clara: inflação e atividade deixaram de ser o problema. O entrave é outro: o casamento desastroso entre juros estruturalmente altos e um quadro fiscal que se deteriora. Corrigi-lo cedo, diz o banqueiro, seria a forma mais eficiente de liberar capital, revitalizar o mercado de dívida e recolocar investimentos de pé. “Juros de 15% com inflação de 3,5% não fazem sentido. Para ir abaixo de de dois dígitos, só com ajuste fiscal de verdade.”
O futuro da economia brasileira, no entanto, não será definido apenas pela política monetária. Nem pelo Congresso. Nem pelos candidatos. A campanha de 2026, avalia Sallouti, será moldada por um tema que já dominou pleitos no Chile e na Colômbia: segurança pública. Mas, desta vez, não virá sozinha. A relação com os Estados Unidos será especialmente sensível.
Se a Casa Branca continuar adotando postura hostil, afirma o executivo, candidatos de esquerda tendem a ganhar tração, repetindo o efeito visto no Canadá. Se o tom for amigável, o pêndulo favorece a direita, como ocorreu na Argentina. “A taxação de 50% imposta pelos EUA ao Brasil recentemente ajudou, paradoxalmente, o governo atual. A política externa americana tem peso real nas urnas brasileiras.”
No plano interno, três pilares devem definir o debate: segurança pública, segurança jurídica e institucional, e ajuste fiscal.
O otimismo moderado sobre juros não apaga a volatilidade internacional. Segundo o banqueiro, o dólar caiu de mais de R$ 6 para a faixa de 5,35 sem que nada substancial tivesse mudado no Brasil, um lembrete incômodo de que o país é mais objeto do humor global do que agente de seu destino.
O receio sobre a solvência americana deslocaram capital para emergentes, diluindo a percepção de risco. “Saímos de ‘buraco negro’ de capital e voltamos a ser investíveis”, disse Sallouti. O alívio, porém, pode ser enganoso. A discussão sobre dominância fiscal evaporou como se nunca tivesse existido. Mas nada fundamental foi resolvido. Ela voltará e, quando voltar, não será apenas um problema brasileiro. Será uma ressaca sincronizada, com Estados Unidos, Europa e boa parte da OCDE igualmente pressionados. A diferença é que o Brasil, apesar do alívio externo temporário, entrará nesse ciclo em posição mais frágil.
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