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Corrida pelos data centers acelera no Brasil e Engemon espera crescer acima do mercado

Com 70% da receita vinda de centrais de dados, a empresa tem 50 unidades em operação, 40 construções no portfólio e seis projetos em andamento

Por Camila Pati Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 23 jul 2025, 13h58 • Atualizado em 23 jul 2025, 15h46
  • O Grupo Engemon, especializado em engenharia e construção, projeta crescer neste e nos próximos anos acima de um mercado que já avança em ritmo acelerado. Uma das grandes empresas nacionais do setor de data centers, a companhia soma 50 unidades em operação, 40 construções no portfólio e seis projetos em andamento.

    “Esse é um mercado que tende a crescer de 12% a 15% ao ano nos próximos cinco anos. Nós temos metas internas de crescer acima disso, perto de 20% ao ano”, afirma Marcus Vinícius Oliveira, gerente sênior de Projetos Estratégicos da companhia. “Como um player pioneiro e que valoriza o know-how, não podemos crescer abaixo do mercado.”

    Cerca de 70% do faturamento da Engemon está atrelado às atividades ligadas a data centers. A empresa atua de ponta a ponta na cadeia de implantação desses empreendimentos: desde a escolha e viabilidade do terreno, passando por projeto, construção, certificação e operação. “Somos procurados por grandes investidores que querem viabilizar seus negócios aqui. Ajudamos desde a seleção do terreno até a operação do data center já funcionando”, diz Reinaldo Kazuo, diretor responsável pela engenharia da área.

    O otimismo com o crescimento do setor tem base sólida na demanda crescente por infraestrutura digital. Com gargalo mundial na oferta, o Brasil entrou de vez no radar de grandes investidores internacionais por contar com uma matriz energética majoritariamente renovável, uma vantagem competitiva na corrida global por centros de dados sustentáveis. Estima-se que o país concentre cerca de 50% dos investimentos em infraestrutura de dados da América Latina, com aproximadamente 180 data centers em operação.

    Um dos desafios do país, de dimensões continentais, é geográfico: enquanto a demanda por energia se intensifica no Sudeste, a região Nordeste tem se destacado como geradora de renovável com aumento da oferta de energia eólica e solar.“Temos fontes de energia renovável em abundância, mas o que tem que ser trabalhado agora é a malha de distribuição”, afirma Kazuo.

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    A vulnerabilidade dessa estrutura foi evidenciada no apagão nacional ocorrido em agosto de 2023. Na ocasião, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) confirmou que uma falha na transmissão interrompeu o intercâmbio de energia entre regiões, dividindo o sistema em dois blocos: Norte/Nordeste e Sudeste/Centro-Oeste/Sul. Como medida emergencial, o ONS cortou pela metade a exportação de energia do Nordeste, que gera excedente principalmente a partir de fontes eólicas e solares, e aumentou a geração hidrelétrica no Sudeste para evitar novo estresse no sistema.

    A disponibilidade de energia é um dos pontos mais sensíveis para a construção de data centers, especialmente após a ascensão da inteligência artificial generativa, que aumentou drasticamente as exigências técnicas do setor. “Estamos saindo de racks de 6 kW para 100 kW, o que muda completamente o projeto de engenharia”, explica Kazuo, referindo-se às estruturas que organizam os servidores e equipamentos dentro dos data centers. A potência consumida por cada unidade é um indicador direto da capacidade computacional instalada. “Antes, um data center tinha 4 megawatts. Hoje, 100 ou 200 megawatts já são padrão.”

    Estudo recente do Boston Consulting Group (BCG) estimou que a demanda global por energia crescerá 16% ao ano até 2028. A pesquisa, intitulada Breaking Barriers to Data Center Growth, projeta um investimento maciço de US$ 1,8 trilhão em data centers até 2030.

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    Em maio, o governo brasileiro anunciou que espera atrair até  2 trilhões de reais em investimentos na próxima década em projetos de infraestrutura digital sustentável. O plano inclui desonerações para bens de capital, máquinas e equipamentos usados na implantação de data centers.

    “O governo tem olhado para esse setor e quer atrair investimentos. Isso aumenta ainda mais nosso otimismo, mas não dá para só ser otimista sem estar preparado”, afirma Oliveira.

    De olho nessa oportunidade, a Engemon tem reforçado sua equipe técnica. “A gente investe muito nos colaboradores, na equipe técnica, formando, trazendo pessoas novas, capacitando, retendo funcionários. É o grande diferencial da Engemon”, diz ele.

    Os fatos que mexem no bolso são o destaque da análise do programa VEJA Mercado:
    https://www.youtube.com/live/Mf9y5tGEVVk?si=__CMJQgP2eouyAjF

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