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Correios projetam prejuízo de R$ 9,1 bilhões em 2026, apesar de plano de reestruturação

Se confirmado, rombo será maior que o previsto para 2025, apesar do programa de reestruturação anunciado pela estatal

Por Márcio Juliboni Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 12 fev 2026, 11h28 • Atualizado em 12 fev 2026, 11h28
  • Os Correios devem apresentar um prejuízo de 9,1 bilhões de reais em 2026, segundo estimativas de sua diretoria. A informação foi antecipada pelo portal de notícias G1. Se confirmado, o valor será maior que as perdas de 5,8 bilhões com que a estatal deve encerrar 2025. O rombo do ano passado poderia ser ainda maior, se a companhia não tivesse adiado o pagamento de algumas obrigações.

    O aumento dos prejuízos previsto pela cúpula dos Correios para 2026 indica a pouca eficácia do plano de reestruturação apresentado em meados de outubro e detalhado em dezembro. Nas duas ocasiões, a empresa se comprometeu a cortar despesas, diversificar receitas e recuperar a capacidade financeira para quitar dívidas. Em dezembro, quando as medidas foram consolidadas em um plano de ações que se estende até 2027, os Correios se comprometeram a gerar uma economia anual de 7,4 bilhões de reais. Os cortes de gastos com 15 000 funcionários e o fechamento de 1 000 agências responderiam por 4,2 bilhões de reais desse montante. Já o aumento de receitas aportaria mais 3,2 bilhões.

    Retirada do programa de privatização pelo presidente Lula logo após o início de seu terceiro mandato, os Correios se tornaram uma das maiores dores de cabeça do Palácio do Planalto e símbolo da ineficiência estatal. Além de mudanças estruturais em seu mercado com o aumento da concorrência de empresas privadas de entrega e a redução no volume de correspondências em tempos de adoção em massa de meios eletrônicos de comunicação, como os e-mails e o whatsapp, os Correios também sofrem com a ingerência política e decisões que comprometeram sua saúde financeira.

    Em novembro de 2024, por exemplo, a estatal concordou em injetar 7,6 bilhões de reais no Postalis, o fundo de previdência dos seus funcionários. A quantia cobre metade dos 15 bilhões de reais das perdas reportadas pelo fundo. A quantia remonta aos prejuízos sofridos pelo Postalis com investimentos realizados de 2011 a 2016, quando Dilma Rousseff presidia o Brasil. As perdas somavam 4,7 bilhões de reais e, corrigidas ao longo dos anos, se transformaram em uma bola de neve.

    Para cobrir o rombo operacional e o aporte no Postalis, os Correios chegaram a negociar no fim do ano passado um empréstimo de 20 bilhões de reais com um consórcio de bancos. A operação, contudo, foi vetada pelo Tesouro Nacional, que entraria como fiador, por considerá-la cara demais – equivalente a 136% do CDI, o que corresponde a cerca de 20% ao ano. Nos últimos dias de dezembro, a companhia conseguiu fechar um empréstimo de 12 bilhões com o pool de bancos.

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