Copasa: Aegea e Equatorial disputam privatização
Gestores do mercado financeiro comentam que a possibilidade de a Equatorial vencer o leilão é baixa
O leilão de privatização da Copasa atraiu propostas de dois grandes grupos do setor. A primeira foi apresentada pelo consórcio dos controladores da Aegea, formado por Itaúsa, Equipav e o Fundo Soberano de Singapura (GIC). A segunda oferta partiu da Equatorial, segundo fontes do mercado financeiro. Procurada por VEJA, a companhia afirmou que acompanha continuamente oportunidades em suas áreas de atuação, mas não comenta potenciais negócios ou aquisições.
Em fato relevante enviado ao mercado, Itaúsa e Aegea confirmaram a participação em um consórcio interessado em adquirir os 30% do capital controlador da Copasa. Segundo a Itaúsa, a Aegea terá fatia de 1% no grupo. Os acionistas controladores da companhia — Itaúsa, Equipav e GIC — dividirão igualmente os 99% restantes, com participação de 33% para cada um.
Fontes do mercado financeiro afirmam que a Equatorial também apresentou proposta, embora parte dos gestores demonstre ceticismo quanto à capacidade da empresa de participar da operação. “Acho difícil a Equatorial levantar recursos para esse leilão. A ação pode despencar por causa da notícia, já que a companhia continua alavancada”, afirmou um gestor sob condição de anonimato.
A Equatorial encerrou o primeiro trimestre de 2026 com alavancagem de 2,7 vezes, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda. O acordo de covenants da sétima emissão de debêntures da empresa estabelece um limite de 4,5 vezes para esse indicador. Embora a Equatorial esteja dentro do parâmetro previsto, uma nova aquisição pode pressionar ainda mais seu nível de endividamento.
Procurada por VEJA, a Equatorial não negou o envio da proposta, mas preferiu não detalhar o assunto. “O Grupo Equatorial está sempre atento às oportunidades em suas áreas de atuação, mas não comenta possibilidades de negócios ou aquisições”, informou a empresa.
Como será a privatização da Copasa?
A Copasa será privatizada por meio de uma oferta subsequente de ações (follow-on) conduzida pelo governo de Minas Gerais. A administração estadual pretende vender ao menos 45% do capital social da companhia, fatia equivalente a 89,94% da participação atualmente detida pelo Estado.
O teto da operação prevê a venda de até 100% da participação do governo mineiro, correspondente a 50,03% do capital social total da empresa.
O modelo prevê a formação de um bloco controlador com pelo menos 30% das ações da Copasa. “O acionista vendedor deverá informar ao mercado sobre a verificação da condição do preço mínimo no dia 2 de junho, por meio da divulgação de fato relevante”, afirma o prospecto preliminar da oferta.
As ações da Copasa ofertadas ao mercado passarão a ser negociadas na B3 em 5 de junho. A proposta de privatização segue, em linhas gerais, o mesmo modelo adotado pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), que estruturou um bloco de controle por meio de leilão na bolsa paulista.
A principal diferença, até o momento, é que o governo de São Paulo manteve participação de 18% na Sabesp, enquanto o governo de Minas Gerais deverá ficar com apenas 5% da Copasa — ou até mesmo zerar sua participação na empresa.





