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Consumidores reclamam – de novo – de promoções da Black Friday

Falta de produtos e poucos itens com preços promocionais foram as queixas mais frequentes, mas vendas na data cresceram em relação a 2014

Quem decidiu acordar cedo nesta sexta-feira para tentar aproveitar as promoções da Black Friday pode mais uma vez ter se decepcionado. Como nas edições anteriores da data de descontos do varejo, multiplicaram-se as queixas sobre o baixo número de produtos com descontos e os estoques, que acabam se esgotando nas primeiras horas de vendas.

O site de VEJA visitou a loja da Casas Bahia na Praça Ramos, no centro de São Paulo, que se transformou em um endereço bastante procurado na Black Friday. Lá, o chamariz da vez era um ferro de passar roupa à vapor, que estava sendo vendido por 9,90 reais. O produto se esgotou em menos de uma hora.

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Maria Aparecida dos Santos, de 55 anos, foi uma das consumidoras que conseguiram sair da loja com a lista de compras concluída. Ela levou, além de duas unidades do ferro de passar, um liquidificador, que custou 69,60 reais. Maria Aparecida de fato se planejou para a data: Ela economizou dinheiro para não precisar parcelar a compra no cartão. “É para não complicar mais para frente”, disse. A consumidora conseguiu o que queria, mas os relatos mais frequentes eram de resignação.

Blanca – que, na pressa de tentar conseguir algo na promoção, sequer disse seu sobrenome à reportagem -, por exemplo, tinha como objetivo comprar um micro-ondas, mas não saiu satisfeita. “Eu vi quanto estava custando no ano passado e decidi vir. Queria pagar 299 reais, mas aqui está por 399 reais”, disse a consumidora boliviana, que expressou abertamente que “não aguentava mais ficar na loja”.

Também desiludida, a chefe de cozinha Terezinha – outra que, no atropelo das compras, não revelou seu sobrenome -, foi cedo comprar um micro-ondas e não conseguiu. “O valor que eles estão cobrando aqui é o mesmo de três dias atrás”, afirmou. Ela deixou a loja para tentar, na concorrência, caçar o produto pelo preço que queria.

João Jorge, pintor de 36 anos, saiu de casa preparado. Ele consultou produtos e preços no site da Casas Bahia antes de ir para a loja da Praça Ramos. Jorge foi mais um queixoso. “O site oferece muitas opções, mas chego aqui e não tem quase nenhuma”, contou, visivelmente incomodado. “Eu precisava de lixadeira e esmerilhadeira para hoje. Vou ter que ir à 25 [de Março, tradicional de rua de comércio popular de São Paulo] tentar a sorte.”

Quem andava pelos corredores ouvia coisas como “cadê dinheiro para comprar essas coisas? Não tem!” E os comentários não eram apenas dos consumidores. Uma vendedora que estava no corredor de produtos da marca Phillips Walita, ao telefone com uma colega, expressou a surpresa. “Aqui não está vendendo nada. Só sai Britânia [marca da concorrência]”, disse. “Isso quebrou nossas pernas.” Outra vendedora achou o movimento menor que o do ano passado. “Nunca vi assim. Acho que faltou um preço chamativo na mídia”, teorizou.

Lado bom do Black Friday – É claro que a data não foi apenas de queixas. A despeito das reclamações – ou mesmo da crise econômica -, as vendas da Black Friday de 2015 foram melhores que as do ano passado. Até 21h desta sexta-feira, o faturamento do comércio havia chegado a 1,17 bilhão de reais, segundo a ClearSale, empresa especializada em soluções antifraude para o varejo. O montante é maior que o registrado durante toda a Black Friday do ano passado, quando as vendas somaram 872 milhões de reais. O levantamento é feito em parceria com o Busca Descontos, organizador da BlackFriday.com.br.

Na Casas Bahia da Praça Ramos, Fernando Nogueira, gerente de uma rede de fast food comprou um televisor de 48 polegadas por 1.889 reais em dez vezes sem juros no cartão de crédito. “Preferi parcelar e guardar meu 13º salário para começar uma graduação no próximo ano”, disse.

José Américo Borges, administrador, comprou uma televisão e um ventilador. O santista optou pela compra em três parcelas porque “é o que dá para pagar no momento”, disse. A televisão de 34 polegadas saiu por 1.090 reais e o ventilador, por 176 reais. Era o que ele queria.

O empresário Welington da Silva comprou um celular do modelo Galaxy J2, da Samsung. Foi um acerto, disse ele. “Pesquisei e achei por 750 reais em outras lojas, mas hoje paguei 500 reais.” A comerciante Alessandra Regina comprou dois celulares do mesmo modelo. Um para o marido e um para a filha. “São os únicos presentes de Natal que vou dar neste ano”, contou. Entre queixas e sorrisos, a Black Friday brasileira cresceu em 2015. Com crise e tudo.

(Da redação)