Clique e Assine por somente R$ 2,50/semana

Como foi a reabertura do comércio em São Paulo

Apesar de recorde de mortos no estado, consumidores foram às ruas e lojas registraram filas na região central

Por Diego Gimenes Atualizado em 11 jun 2020, 18h12 - Publicado em 10 jun 2020, 19h38

Após 82 dias com as portas fechadas, ou entreabertas em alguns casos, o comércio de rua da cidade de São Paulo voltou a funcionar oficialmente nesta quarta-feira, 10, com uma série de restrições ao público. Desde 1° de junho, a capital está na fase 2 do Plano São Paulo, que prevê a reabertura parcial de concessionárias, imobiliárias, escritórios, shoppings centers e do comércio de rua, autorizado a funcionar diariamente com 20% de sua capacidade durante 4 horas, entre 11h e 15h. Clientes e funcionários são obrigados a utilizar máscaras e respeitar o distanciamento social, além disso, os lojistas devem fornecer álcool em gel para os consumidores. Alguns estabelecimentos ainda medem a temperatura das pessoas que entram nas lojas. No centro da cidade, o que se viu no primeiro dia foram aglomerações entre os ambulantes e filas nas entradas dos estabelecimentos.

CUIDADOS – Homem espirra álcool em cliente: primeiro dia de negócios/ Amanda Perobelli/Reuters

Nas últimas 24 horas, o estado de São Paulo registrou 340 novas mortes em decorrência da covid-19, o recorde diário pelo segundo dia consecutivo. A taxa de ocupação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na Grande São Paulo, uma das exigências para a reabertura parcial, atualmente é de 76,6%. “A reabertura veio com muitas restrições e para as pequenas empresas a aplicação é muito difícil. O comércio vai procurar se adaptar ao máximo e o principal é garantir a segurança dos trabalhadores, empresários e clientes. Agora, essas limitações de distanciamento e horário vão dificultar bastante a nossa adaptação, mas o importante é começar e ver na prática o que é viável ou não. Acontece que para os estabelecimentos menores o distanciamento pode atrapalhar tanto a ponto de nenhum cliente conseguir entrar nas lojas e dividir espaço com os funcionários”, disse Marcel Solimeo, economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). A Associação acredita que a reabertura é positiva mas espera que nas próximas semanas o governo estadual reclassifique a capital paulista para a terceira fase do plano de reabertura, em que as restrições ao comércio são menores. Na chamada fase amarela, os estabelecimentos podem funcionar com 40% de suas capacidades pelo período de 6 horas.

 

Se por um lado o comércio na região central apresentou filas e aglomerações, os bairros mais afastados registraram um movimento muito abaixo do normal, com vendas pífias, um cenário completamente diferente e que deve apresentar uma recuperação ainda mais lenta. “Algumas questões podem ser aprimoradas, as regiões centrais sempre tiveram aglomerações e a nossa expectativa era de que o movimento fosse grande, talvez seja o caso de escalonar e oferecer um horário mais cedo para um tipo de loja e mais tarde para outro. Restringir a uma faixa específica de horário em vez de diminuir acaba favorecendo a aglomeração. Vale lembrar que a região central não serve de parâmetro para o restante da cidade porque grande parte da clientela vai até lá para comprar e depois revender, muita gente foi logo no primeiro dia porque estava precisando muito comprar, mas nas outras regiões a procura deve ser mais cautelosa. Tirando o centro e os shoppings centers, o comércio dos bairros terá uma recuperação muito mais lenta e gradativa”, ponderou Solimeo.

UM POR VEZ – Consumidores esperam em fila para entrar em loja: distanciamento/ Amanda Perobelli/Reuters

A reabertura parcial do comércio se dá dois antes do Dia dos Namorados, data importante para os lojistas. Na OLX, o número de buscas por anúncios com o termo “dia dos namorados” subiu 248% em comparação com o mesmo período de 2019, isso evidencia que, em meio à pandemia, os consumidores ainda preferem fazer suas compras pela internet. “O Dia dos Namorados pode ajudar, quem for procurar um presente vai encontrar as lojas abertas, o que antes não era possível. Pode até vender pouco, mas se não estiver aberto não vai vender nada. Acabaram liberando em cima da hora, mas alguma coisa sempre ajuda, apesar de não ser o suficiente para ter uma grande demanda como nos anos anteriores”, projetou o economista da ACSP.

Para suportar o maior movimento nas ruas da cidade, a SPTrans colocou 92% da frota de ônibus em circulação na capital, cerca de 11.800 coletivos. Apesar disso, foram registradas aglomerações no interior dos veículos. A Defensoria Pública do Estado de São Paulo em conjunto com o Ministério Público (MP-SP) recomendou que a oferta de transportes seja aumentada, em razão do aumento da demanda. A Secretária Estadual de Transportes afirmou em nota que “monitora as estações e terminais das regiões metropolitanas, com o atendimento de frota em até 100% em horários de pico ou imediatamente quando se fizer necessário”.

  • Continua após a publicidade
    Publicidade