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Comissão da UE quere permanência da Grécia no euro

BRUXELAS, 14 Mai (Reuters) – A Comissão Europeia espera que a Grécia continue sendo parte da zona do euro, mas Atenas deve respeitar suas obrigações, disse o braço executivo da União Europeia (UE) nesta segunda-feira.

“Não queremos que a Grécia deixe o euro, ao contrário. Estamos fazendo de tudo para dar suporte à Grécia”, disse a porta-voz da Comissão Europeia, Pia Ahrenkilde Hansen, em uma coletiva de imprensa.

A Grécia deve enfrentar novas eleições em junho depois de três tentativas fracassadas de formar um governo que apoiaria os termos de um resgate da UE e do Fundo Monetário Internacional (FMI), seguindo as eleições feitas no início deste mês.

Pesquisas de opinião mostram que a maioria dos gregos quer permanecer na zona do euro, mas são contra a dura austeridade imposta pelos termos do programa de empréstimo de emergência da UE e do FMI.

“Desejamos que a Grécia permaneça no euro e esperamos que a Grécia permaneça no euro…mas ela tem que respeitar seus compromissos”, completou Pia.

“A posição da Comissão continua totalmente inalterada: queremos que a Grécia tenha condições de permanecer no euro. Isso é o melhor para a Grécia, para o povo grego e para a Europa como um todo”, disse ela.

Pia recusou-se a especular o que poderia acontecer se a Grécia não puder formar um governo que dê suporte aos termos de seu resgate de 130 bilhões de euros.

EQUAÇÃO IMPOSSÍVEL

O líder do esquerdista Syriza, Alexis Tsipras, cujo partido ficou em segundo na eleição grega mas agora lidera nas pesquisas, afirmou querer que a Grécia permaneça no bloco que usa uma moeda única, mas que descarte o programa de resgate.

O ministro de Relações Europeias para zona do euro da Finlândia, Alexander Stubb, afirmou que Grécia não pode permanecer na zona do euro se romper com o acordo de resgate. “Acho que essa é uma equação impossível”, disse Stubb.

O cenário político grego mostra problemas desde a eleição inconclusiva em 6 de maio, que deixou o parlamento dividido entre os que defendem e os que se opõem ao programa, sendo que nenhum dos dois lados conseguiu formar um governo.

“A Grécia tem seu futuro em suas próprias mãos e realmente cabe à Grécia ver qual resposta seria”, completou Ahrenkilde Hansen, destacando que a Comissão não quis interferir nas negociações sobre a formação do governo grego.

Mas ela afirmou: “O programa de resgate e o euro estão no centro dessas negociações.”

Questionada se a zona do euro está formulando planos de contingência no caso de a Grécia decidir rejeitar os termos de resgate e portanto deixar a zona do euro, Pia afirmou que “não”.

“Existem muitas, muitas questões surgindo e muitas questões abertas sobre a Grécia, e a maioria das respostas tem que vir da Grécia, e temos que respeitar o processo político em curso”, disse ela.

(Reportagem de Jan Strupczewski)