Comércio de rua perde consumidores e acende alerta para o Natal
Fluxo de visitantes cai 3,6% nas lojas de rua em setembro, enquanto shoppings mostram maior resistência; varejo encerrou o terceiro trimestre em retração
A combinação de juros elevados, consumidores cautelosos e menor circulação de clientes está ampliando os desafios do comércio brasileiro na reta final de 2026. Levantamento da Seed Digital mostra que o fluxo de visitantes do varejo físico recuou 1,9% no terceiro trimestre em comparação com o mesmo período do ano passado. A deterioração foi progressiva: a queda passou de 1,1% em julho para 1,5% em agosto e atingiu 3,1% em setembro.
O resultado mais preocupante está no comércio de rua. Em setembro, o movimento desses estabelecimentos caiu 3,6% na comparação anual, enquanto os shopping centers registraram retração de apenas 0,3%. A diferença sugere maior resistência dos centros comerciais em um período de perda de circulação de consumidores, embora os dois canais tenham encerrado o trimestre com queda acumulada de 1,9%.
O levantamento também mostra diferenças regionais importantes. O Sudeste, maior mercado consumidor do país, registrou retração de 2,8% no trimestre. O Nordeste apresentou queda de 2,1%, enquanto Norte e Centro-Oeste recuaram 1,9%. O Sul foi a única região a apresentar crescimento, de 1,6%.
Para o setor, o principal desafio é transformar a menor circulação de consumidores em vendas suficientes para sustentar os resultados. A queda do fluxo não implica necessariamente uma redução equivalente do faturamento, uma vez que a receita também depende do valor médio das compras e da proporção de visitantes que efetivamente consomem.
Na avaliação de Sidney Raulino, CEO da Seed Digital, o desempenho do varejo reflete uma combinação de pressão financeira sobre as famílias e fatores conjunturais, como alterações climáticas. A empresa também identifica mudanças no comportamento dos consumidores, que passaram a selecionar mais cuidadosamente seus deslocamentos e gastos.
Os indicadores aumentam a importância da Black Friday e do Natal para o fechamento do ano. Mais do que atrair visitantes, o comércio precisará melhorar sua capacidade de converter o movimento em vendas. Para os estabelecimentos de rua, que vêm registrando perdas mais intensas de circulação, o desafio tende a ser particularmente relevante.






