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‘China vê no Brasil parceiro-chave para nova fase de crescimento’, diz embaixador

Com novo plano quinquenal, Pequim sinaliza expansão de investimentos e parcerias com o Brasil em áreas estratégicas como energia, inovação e comércio

Por Ernesto Neves 18 mar 2026, 15h53 • Atualizado em 18 mar 2026, 16h03
  • Um novo horizonte para a China, novas oportunidades para o mundo

    “Ao oferecer uma chave de leitura do país e de suas diretrizes de governo, as sessões anuais da Assembleia Popular Nacional da China e da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês naturalmente atraem atenção internacional. O ponto focal este ano foi a aprovação do 15º Plano Quinquenal, que inaugura uma nova etapa da modernização chinesa. Mais do que definir a visão chinesa de desenvolvimento para os próximos cinco anos, o plano reafirma a disposição do país de ampliar uma cooperação de benefícios recíprocos com o mundo. Em termos práticos, aponta para novas oportunidades para a comunidade internacional. Caminhar com a China é caminhar com oportunidades; acreditar na China é acreditar no amanhã; investir na China é investir no futuro.

    Oportunidades de estabilidade

    O mundo atravessa um período de transformações aceleradas, instabilidade e conflitos persistentes. Nesse contexto, a China mantém uma política externa independente e autônoma, segue o caminho do desenvolvimento pacífico e trabalha pela formação de uma Comunidade de Futuro Compartilhado para a Humanidade. Rejeita a lógica da “cogestão do mundo pelas grandes potências” e assegura que jamais buscará hegemonia nem expansão territorial, qualquer que seja o seu grau de desenvolvimento. Ao mesmo tempo, a China defende com firmeza sua soberania, sua segurança e seus interesses de desenvolvimento. Resguarda o primado do direito internacional, da equidade e da justiça, opõe-se ao unilateralismo e ao abuso de poder e rejeita o uso ou a ameaça do uso da força nas relações internacionais, porque a ordem mundial não pode ser regida pela lei do mais forte. Nesse sentido, o fortalecimento da China deve ser entendido como fator adicional de paz e estabilidade globais.

    A formulação e a execução dos planos quinquenais constituem um elemento central da governança chinesa pelo Partido Comunista da China e uma das vantagens institucionais do socialismo com características chinesas. Desde 1953, o país tem concluído com êxito 14 planos quinquenais e superado a condição de economia agrária empobrecida para tornar-se a segunda maior economia do mundo e a maior potência manufatureira. O 15º Plano Quinquenal abrange 16 campos estratégicos, que vão da construção de um sistema industrial moderno ao fortalecimento da economia real. Seu escopo cobre o conjunto do desenvolvimento econômico e social e lança bases sólidas para a realização básica da modernização socialista até 2035. A trajetória chinesa é marcada por continuidade estratégica e planejamento de longo prazo, de geração em geração. O foco em fazer bem o próprio trabalho, aperfeiçoar-se continuamente e compartilhar oportunidades com o mundo constituem a chave importante do seu sucesso. Em um cenário internacional turbulento, a China busca oferecer previsibilidade, estabilidade e confiança.

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    Oportunidades de desenvolvimento

    A economia mundial sofre com a falta de dinamismo, a ampliação do déficit de desenvolvimento e o agravamento de desafios como a mudança do clima e a segurança energética. Nesse quadro, a China, o motor mais estável do crescimento global, impulsiona a economia internacional por meio de seu desenvolvimento de alta qualidade. Nos últimos cinco anos, a economia chinesa cresceu, em média, 5,4% ao ano, com contribuição em torno de 30% para o crescimento econômico mundial — superior à soma dos países do G7. No ano passado, o consumo respondeu por 52% da expansão econômica e consolidou-se como principal motor do crescimento. Em termos absolutos, o incremento anual da economia chinesa ultrapassou cinco trilhões de yuans, volume equivalente ao PIB de um país de porte médio. Como a maior economia emergente do mundo, a China concentra seus esforços na economia real, acelera a formação de novos vetores de crescimento e continua a expandir um mercado de escala extraordinária, sustentado por uma população superior a 1,4 bilhão de habitantes e por uma classe média de mais de 400 milhões de pessoas. As condições de sustentação para o crescimento econômico de longo prazo estão cada vez mais sólidas, e a tendência de crescimento contínuo fica cada vez mais consolidada. Por isso, o país segue como o fator mais decisivo para a expansão da economia global.

    Quanto à meta de crescimento para este ano, a definição é a seguinte: crescimento entre 4,5% e 5%, com empenho redobrado para alcançar resultados ainda melhores. Trata-se de uma meta definida com base na dinâmica interna da economia chinesa e nas transformações complexas do ambiente externo, em equilíbrio entre necessidade e viabilidade. A orientação é buscar patamares mais altos de desenvolvimento sem abrir mão da solidez do passo. Isso cria margem para ajustar estruturas, prevenir riscos, aprofundar reformas e concentra ainda mais atenção no desenvolvimento de alta qualidade, com vistas a promover uma elevação efetiva da qualidade e uma expansão quantitativa em bases adequadas. Ao mesmo tempo que prepara o terreno para o arranque do 15º Plano Quinquenal e toma a iniciativa, imprime ao esforço contínuo e abrangente um ritmo estável e controlável. Na prática, bastaria à economia chinesa crescer, em média, 4,17% ao ano para que o país alcançasse, em 2035, a meta de um PIB per capita superior a US$ 20 mil. Há, portanto, confiança na realização dos objetivos de crescimento social e econômico.

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    Oportunidades de inovação

    A inovação é a força motriz central do desenvolvimento. Nos últimos anos, medidas de contenção externa — sejam elas formuladas como “desacoplamento” ou como estratégias de “pátio pequeno, cerca alta” — não foram capazes de interromper o avanço científico e tecnológico da China. Durante o 14º Plano Quinquenal, o país persistiu em uma estratégia de desenvolvimento orientada pela inovação e pela autossuficiência científico-tecnológica. O investimento nacional em pesquisa e desenvolvimento cresceu, em média, 10% por ano e a China tornou-se o primeiro país a ultrapassar a marca de cinco milhões de patentes de invenção válidas em seu território. Áreas como inteligência artificial, biofarmacêutica, robótica e tecnologia quântica registraram avanços não vistos em outros países. Também o desenvolvimento autônomo de semicondutores alcançou novo patamar, injetando dinamismo na modernização chinesa.

    O 15º Plano Quinquenal prevê 28 projetos voltados ao fortalecimento das capacidades industriais básicas e da competitividade, ao desenvolvimento de novas indústrias, ao domínio de tecnologias de ponta e ao reforço das bases da inovação. A meta estabelecida é elevar em mais de 7% ao ano o investimento nacional em pesquisa. Nos próximos anos, a China pretende acelerar a autossuficiência científica e tecnológica em alto nível, liderar o desenvolvimento de novas forças produtivas e ampliar sua capacidade de inovação independente. A expectativa é avançar em tecnologias críticas em áreas estratégicas como circuitos integrados, materiais avançados e biofabricação. Setores emergentes — entre eles energia renovável, novos materiais, aeroespacial, economia de baixa altitude — tendem a abrir mercados na casa dos trilhões. A posição chinesa é clara: a ciência não deve ser monopólio de um pequeno número de países, mas patrimônio comum do desenvolvimento humano. Por isso, a China continuará ampliando a cooperação científica e tecnológica internacional, para que os frutos da inovação beneficiem um número cada vez maior de países e povos.

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    Oportunidades de abertura

    Em meio ao avanço do protecionismo e das tendências de desglobalização, a China reafirma seu apoio à globalização econômica, insiste em usar a abertura como alavanca para reformas e desenvolvimento e procura compartilhar oportunidades com os demais países enquanto amplia o próprio crescimento. Hoje, a China é a principal parceira comercial de mais de 160 países e regiões. A Iniciativa Cinturão e Rota consolidou-se como a maior, mais ampla e influente plataforma de cooperação econômica internacional em funcionamento. O país eliminou restrições ao investimento estrangeiro na manufatura, concedeu tratamento de tarifa zero a todos os países menos desenvolvidos com os quais mantém relações diplomáticas e avançou com a construção do porto de livre comércio de Hainan e de 22 zonas-piloto de livre comércio. Essas iniciativas de abertura vêm recebendo ampla acolhida internacional.

    De acordo com o 15º Plano Quinquenal, a China continuará a apostar na cooperação de benefício mútuo, ampliará a abertura externa de alto nível, avançará gradualmente na abertura institucional, expandirá de forma proativa a abertura unilateral e dará atenção especial à abertura do setor de serviços. Também buscará elevar a qualidade da cooperação em comércio e investimento e aprofundar, em alto nível, a cooperação conjunta da Iniciativa Cinturão e Rota. No ano passado, o volume total de vendas no varejo de bens de consumo superou 50 trilhões de yuans, enquanto as importações ultrapassaram 18 trilhões de yuans. Ao longo da próxima década, a classe média chinesa deverá superar 800 milhões de pessoas. À medida que esse mercado de grande escala continue a se expandir e a se abrir em nível mais elevado, darão também as oportunidades oferecidas aos países do mundo inteiro.

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    China e Brasil, as maiores economias em desenvolvimento de seus respectivos hemisférios, são forças importantes na defesa da paz, da estabilidade e da justiça internacional, e parceiros nos próprios caminhos de modernização. Sob a orientação estratégica de seus líderes, a formação de uma Comunidade de Futuro Compartilhado China-Brasil vem avançando de forma consistente. As sinergias entre estratégias de desenvolvimento se aprofundam e as relações bilaterais atravessam um de seus melhores momentos históricos. A implementação do 15º Plano Quinquenal abrirá novas possibilidades de cooperação entre os dois países em áreas como comércio, investimento, inovação científica e sustentabilidade ambiental. O desafio, agora, é transformar essas oportunidades em resultados concretos, de modo a elevar as relações sino-brasileiras a um novo patamar e gerar benefícios mais amplos para os povos de ambos os países”.

    Zhu Qingqiao,

    Embaixador da China no Brasil

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