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China pressiona Bovespa na abertura, mas tende a subir

Por Da Redação - 10 jul 2012, 10h22

Por Olivia Bulla

São Paulo – Não são muitos os ajustes que a Bovespa tem a fazer em relação ao exterior nesta volta de feriado, já que na sexta-feira as perdas locais foram mais acentuadas e ontem as Bolsas de Nova York caíram levemente. Os investidores retornam aos negócios locais de olho nos sinais hesitantes emitidos pela China, o que deprime as commodities, e pode ser um fator de pressão sobre as ações de empresas brasileiras exportadoras de matérias-primas. Porém, a possibilidade de elevação da mistura de etanol à gasolina pode ser um contraponto favorável à Petrobras, assim como o sinal positivo vindo do exterior na manhã desta terça-feira. Às 10h05, o Ibovespa subia 0,20%, aos 55.505 pontos.

Um operador de mesa de renda variável acredita que o dia possa ser positivo para Bolsa. “As bolsas asiáticas caíram por causa da queda das importações na China, o que afeta o pregão doméstico, mas a Europa e os futuros de Nova York sobem com o acordo para ‘resgatar’ a Espanha”, resume o profissional, que falou sob a condição de não ser identificado.

No horário acima, o futuro do S&P 500 subia 0,27%, em dia de agenda econômica esvaziada nos EUA, enquanto as bolsas de Paris e de Frankfurt avançavam 1,08%, cada, com os investidores atentos ao encontro de ministros de Finanças da União Europeia (UE), que acontece nesta terça-feira.

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O grupo chamado Ecofin deve chancelar as decisões tomadas ontem pelos ministros de Finanças da zona do euro (Eurogrupo), de dar um ano a mais para que a Espanha atinja a meta de redução de déficit e, ainda, de liberar 30 bilhões de euros ao país para um socorro imediato aos bancos, no âmbito do pacote de 100 bilhões de euros acordado no mês passado. Antes do anúncio desse acordo, o título espanhol de 10 anos atingiu o patamar insustentável de 7%, mas nesta manhã o prêmio pago ao investidor já estava mais suave.

O dia, porém, amanheceu com uma nova rodada de notícias negativas vindas da China. O gigante emergente registrou um superávit comercial acima do esperado em junho, de US$ 31,7 bilhões, mas o resultado foi garantido graças à desaceleração no crescimento das importações. Em relação a um ano antes, as compras chinesas feitas no exterior cresceram 6,3% no mês passado, abaixo da expansão de 12% em maio, na mesma base de comparação, e da previsão de +10,4%. As exportações, no mesmo período, também subiram menos em relação ao mês anterior, mas superaram as estimativas.

Esses números refletem as condições econômicas frágeis na China e no exterior e turvam os números que devem ser anunciados pelo país asiático na quinta-feira, quando sai o resultado do PIB no trimestre passado. No fim de semana, o gigante emergente revelou números em linha sobre a inflação no atacado e no varejo.

De olho no desempenho do maior consumidor de commodities do mundo, os contratos futuros dos metais básicos e do petróleo operam em baixa nesta manhã, o que pode penalizar a performance das ações de Vale e Petrobras. Porém, a afirmação do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, de que o governo brasileiro pode “a qualquer momento” aumentar de 20% para 25% o teor do etanol anidro misturado à gasolina, estimulando a produção do combustível derivado da cana-de-açúcar por meio da zeragem de tributos, pode estimular os papéis da estatal petrolífera.

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Dessa forma, os analistas da Um Investimentos avaliam, em relatório, que os mercados iniciam o dia com sentimentos mistos. “Após o dado de importação na China trazer pessimismo aos investidores, os avanços nas negociações dos líderes europeus para recapitalizar os bancos espanhóis adicionaram otimismo aos negócios”, resumem.

Com isso, a equipe da Lerosa Investimentos acredita que a Bolsa deve iniciar a semana mais curta ao redor da estabilidade, contrabalançando esses fatores positivos e negativos. “Durante a semana”, lembram os profissionais, “teremos nova redução da Selic, o que já está precificado e não deve influenciar na renda variável brasileira”. O Comitê de Política Monetária (Copom) inicia nesta terça-feira a reunião de dois dias para decidir sobre a atualização da taxa básica de juros (Selic) que, segundo levantamento do AE Projeções, deve cair para o mínimo histórico de 8%, ao final do encontro.

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