Por que, mesmo crescendo, a China decepciona o mercado
Queda no consumo e crise imobiliária
A economia chinesa cresceu, mas em ritmo menor do que o esperado. O Produto Interno Bruto (PIB) avançou 4,3% no segundo trimestre, o desempenho mais fraco dos últimos três anos e abaixo da meta estipulada pelo governo, entre 4,5% e 5%.
Mesmo assim, por se tratar da segunda maior economia do mundo, o resultado ainda representa um volume expressivo de geração de renda e negócios.
Economia em ‘duas velocidades’
Quem ajuda a explicar esse cenário é Theo Paul Santana, especialista que vive na China e criador do canal Destino China. Segundo ele, o país vive uma economia em “duas velocidades”.
De um lado está a indústria, impulsionada pelas exportações, que segue acelerada. Do outro, o consumo interno ainda enfrenta dificuldades para reagir. “A China continua extremamente forte para produzir e vender para o mundo”, resumiu.
Indústria competitiva
Os números reforçam essa avaliação. Em junho, as exportações chinesas cresceram 27%, movimentando cerca de US$ 412 bilhões. O setor automotivo é um dos destaques, com mais de 1 milhão de veículos embarcados em apenas um mês.
Para Theo, a indústria mantém o país competitivo no comércio internacional, mesmo diante de um ambiente econômico mais desafiador.
Queda no consumo
A explicação para o PIB abaixo da meta está justamente no comportamento do consumidor. Theo compara a economia chinesa a “um carro com motor muito forte, mas com uma das rodas travadas”.
Crise imobiliária
Segundo ele, a crise no mercado imobiliário reduziu a confiança das famílias. “O consumidor chinês está inseguro para gastar, principalmente por causa da crise imobiliária, da queda das vendas dos imóveis e das incertezas sobre emprego e renda”, afirmou.
Novo modelo de crescimento
Na avaliação do especialista, a China atravessa o fim de um ciclo baseado na construção civil e tenta consolidar um novo modelo de crescimento sustentado pela tecnologia, inovação e fortalecimento do mercado interno.
A transição, porém, exige tempo e ajuda a explicar por que o consumo doméstico ainda não acompanha o desempenho das exportações.
E o Brasil ?
Para o Brasil, esse movimento abre oportunidades, mas também exige estratégia. Theo avalia que, diante da desaceleração interna, empresas chinesas tendem a buscar novos mercados, ampliando a oferta de produtos e tecnologias, como carros elétricos e painéis solares, a preços mais competitivos.
O alerta, segundo ele, é que o país aproveite essa aproximação para ampliar a pauta comercial. “O Brasil tem que aproveitar essas relações e não apenas sair vendendo matéria-prima. A gente também tem que oferecer tecnologia e buscar vender produtos brasileiros”, concluiu.







