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Captura de Maduro muda o tabuleiro global, e o impacto pode ir muito além da Venezuela

Para especialista, estratégia dos Estados Unidos pode aumentar o risco de conflitos em escala mundial

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 5 jan 2026, 13h35
Captura de Maduro muda o tabuleiro global, e o impacto pode ir muito além da Venezuela Priorize VEJA no Google

A captura de Nicolás Maduro — que intensificou as tensões envolvendo a Venezuela — não representa um fato isolado, mas a consolidação de uma mudança profunda na estratégia internacional dos Estados Unidos. A avaliação é do pesquisador Vitelio Brustolin, da Universidade de Harvard, em entrevista ao programa Mercado, apresentado por Veruska Donato (este texto é um resumo do vídeo acima).

Segundo ele, a reorientação da política externa americana, com foco explícito na América do Sul, já estava desenhada e tende a redefinir a geopolítica global, com reflexos diretos na economia e na segurança internacional.

A prisão muda o cenário geopolítico?

Na leitura de Brustolin, não. O pesquisador afirma que a atual escalada já vinha sendo anunciada desde o início do ano pelo governo de Donald Trump, especialmente após a divulgação da Estratégia Nacional de Segurança dos Estados Unidos, em dezembro.

O documento sinaliza que Washington passou a tratar o mundo como um tabuleiro dividido em áreas de influência de grandes potências militares — lógica que, segundo ele, remete ao acordo informal entre Estados Unidos, União Soviética e Reino Unido ao fim da Segunda Guerra Mundial.

Priorizar áreas de influência aproxima ou afasta o mundo da paz?

Para Brustolin, afasta. O pesquisador avalia que a divisão do planeta em zonas de interesse estratégico aumenta o risco de conflitos em larga escala. A Europa, observa, já responde a esse cenário com um movimento de rearmamento sem precedentes desde a Segunda Guerra Mundial, incluindo investimentos de centenas de bilhões de euros em defesa.

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O objetivo, segundo ele, é dissuadir possíveis avanços da Rússia sobre países da Otan, especialmente no Leste Europeu — um movimento que, longe de estabilizar o cenário, amplia a tensão global.

Como a Ásia entra nessa equação?

O pesquisador destaca que a Ásia-Pacífico se tornou outro foco crítico. Exercícios militares da China em torno de Taiwan, o apoio financeiro dos Estados Unidos à ilha e declarações do Japão em defesa de Taiwan agravaram crises diplomáticas recentes.

Além disso, países como Japão e Coreia do Sul já discutem a possibilidade de armamento nuclear, um sinal claro de que o ambiente de segurança regional se deteriora rapidamente.

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E a Venezuela, qual o papel nesse novo tabuleiro?

Na avaliação de Brustolin, a Venezuela é peça central na estratégia americana para a América do Sul. A pressão sobre o regime busca enfraquecer financeiramente o governo, especialmente por meio do controle sobre o petróleo e o combate ao narcotráfico.

Ele lembra que empresas americanas ainda mantêm interesses diretos no país, o que ajuda a explicar por que o mercado reagiu de forma pontual aos acontecimentos.

Houve impacto imediato na economia?

O impacto econômico, até agora, foi limitado. Brustolin observa que não houve grandes oscilações nos mercados globais, com exceção da valorização de ativos ligados ao setor de petróleo venezuelano.

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Empresas americanas com operações ou disputas judiciais na região — especialmente no setor energético — tendem a acompanhar de perto os desdobramentos, mas o pesquisador ressalta que ainda é cedo para prever efeitos econômicos mais amplos.

O que esperar daqui para frente?

Para o pesquisador, o cenário é de incerteza crescente. A tentativa dos Estados Unidos de reorganizar a ordem internacional a partir de áreas de influência não reduz tensões — ao contrário, cria incentivos para disputas simultâneas na Europa, na Ásia e agora na América do Sul.

“Essa não é uma estratégia que aproxima o mundo da paz”, avalia. Para o Brasil e a região, o alerta está dado: a geopolítica voltou ao centro do jogo, com riscos que vão muito além das fronteiras venezuelanas.

VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Mercado (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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