Câmara Brasil-Alemanha capacita PMEs para atender padrões ESG
Programa financiado pela União Europeia já treinou mais de 200 empresas para cumprir exigências ambientais de multinacionais e acessar cadeias globais
Quando uma indústria alemã escolhe fornecedores, ela exige comprovação de sustentabilidade até do último elo da cadeia. Sem isso, não há contrato, é a regra geral. Se uma empresa brasileira fornece para uma multinacional instalada aqui, precisa cumprir as mesmas regras da matriz na Alemanha. “Os pré-requisitos são globais”, afirma Bruno Vath Zarpellon, diretor executivo de desenvolvimento de negócios da Câmara Brasil-Alemanha (AHK São Paulo).
Esse ‘filtro verde’ atinge sobretudo pequenas e médias empresas brasileiras, que em geral têm menos preparo para registrar e gerir dados desse tipo. Por isso, a AHK São Paulo criou um programa para prepará-las em temas ESG. “O objetivo principal é integrar pequenas e médias empresas às cadeias globais de valor com foco na economia verde”, diz o executivo
Com treinamentos sobre eficiência energética, relatórios ESG e inovação verde, e aceleração de projetos, o programa PMEs Go Green já alcançou cerca de 210 empresas e 400 executivos. Ele é financiado pela União Europeia e recebeu 314,1 mil euros (cerca de 1,9 milhão de reais) pelo AL-INVEST Verde, programa da UE voltado a fortalecer pequenas empresas na América Latina, com foco em sustentabilidade, inovação e acesso a mercados internacionais.
A iniciativa do PMEs Go Green tem a essência da atuação da Câmara Brasil-Alemanha por aqui. Entidade criada há mais de um século para conectar empresas dos dois países, AHK São Paulo atua justamente como ponte entre empresas locais e cadeias globais de produção, ajudando companhias a entender regras, encontrar parceiros e qualificar fornecedores. Globalmente, a rede de câmaras alemãs está presente em mais de 90 países.
“Nosso papel é promover a cooperação econômica bilateral e o desenvolvimento das empresas parceiras. Muitas vezes ajudamos uma empresa brasileira a fornecer para uma multinacional alemã instalada aqui ou a exportar para a Europa”, diz Bruno Vath Zarpellon, diretor executivo de desenvolvimento de negócios da AHK São Paulo.
O que estimula as PMEs a serem mais sustentáveis
O trabalho começa com a conscientização, diz Zarpellon. “A preocupação do pequeno empresário muitas vezes é sobreviver ao mês seguinte. Ele pensa no capital de giro, na folha, no imposto. Sustentabilidade parece luxo. Nosso trabalho começa com conscientização.”
Para atrair a atenção das PMEs para temas ligados a sustentabilidade, a estratégia é mostrar o impacto financeiro. “Quando mostramos que eficiência energética reduz a conta de luz e melhora a margem em poucas semanas, o empresário entende,” diz.
Sustentabilidade é competitividade. Um exemplo prático veio da ReciGreen, empresa que participou do programa de aceleração e estruturou um projeto de economia circular para reciclar sacarias de cimento de uma planta industrial e dez obras. O modelo prevê a gestão de 20 a 25 toneladas mensais de resíduos pós-consumo, com rastreabilidade e reaproveitamento das fibras recicladas, aumento de até 25% na eficiência ambiental e redução de 10% a 15% nos custos de gestão de resíduos. A solução transforma um passivo ambiental em nova fonte de receita para a cadeia da construção civil.
Como participar do PMEs Go Green
O programa PMEs Go Green está com inscrições abertas para novos workshops gratuitos e mentorias. Os encontros vão tratar de temas práticos, como eficiência energética, elaboração de relatórios ESG e integração de soluções digitais à sustentabilidade.
O primeiro workshop, em 25 de fevereiro, mostra como a gestão de energia pode reduzir despesas fixas e melhorar margens. No dia 3 de março, o foco será a elaboração de relatórios de sustentabilidade com base nos indicadores da Global Reporting Initiative (GRI), padrão exigido por investidores e multinacionais. Já em 11 de março, o programa aborda como empresas podem integrar tecnologia e soluções sustentáveis ao modelo de negócios para ganhar competitividade.
Além dos workshops, começa em março um novo Ciclo de Aceleração voltado a empresas interessadas em desenvolver produtos e serviços sustentáveis ou adaptar processos produtivos às exigências ambientais do mercado internacional. As participantes recebem mentoria para estruturar projetos, montar business cases e se preparar para vender para grandes indústrias. As inscrições são gratuitas e abertas a pequenas e médias empresas de diferentes setores.





