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Café não deveria ser objeto nem de tarifa de 10%, diz presidente do Conselho dos Exportadores de Café

Entendimento é que o café brasileiro não deveria ser taxado já que os Estados Unidos não são produtores. Cecafé diz que é preciso sentar e dialogar

Por Camila Pati Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 10 jul 2025, 17h38 • Atualizado em 10 jul 2025, 17h39
  • O presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Márcio Ferreira, disse nesta quinta-feira, 10,  a VEJA que o anúncio da imposição de 50% de tarifas aos produtos brasileiro foi inesperada e que vai requerer diálogo e negociação.  O setor já trabalhava para mitigar efeitos das tarifas de 10%, anunciadas inicialmente por Trump, no começo do tarifaço.

    “Quando veio a tarifa de 10%, a ideia que se tinha era a questão da reciprocidade, mas a balança tem sido favorável aos Estados Unidos”, diz ele.  Ele também destaca que o entendimento tanto do setor privado brasileiro quanto do americano é que o café brasileiro não compete com a produção americana já que o país não é produtor de café. “O café brasileiro não deveria ser objeto nem de tarifa de 10%”, diz.

    O Brasil produz 35% de todo o café que os Estados Unidos compram. A cada dólar exportado em café para os Estados Unidos, são gerados 43 dólares na economia americana.  O café movimenta 1,2% do PIB americana e 0,89% do PIB brasileiro. É  consumido por 76% dos americanos diariamente e gera no país cerca de 2,2 milhões de empregos, segundo dados apresentados pelo Cecafé e que mostram que a representatividade do café é maior para a economia americana do que para a brasileira.

    “A gente vê o viés político da decisão dos Estados Unidos. Tem a questão dos Brics e da propagada desdolarização. A gente entende que é preciso sentar e dialogar”, diz ele. Atualmente, cerca de um terço dos projetos financiados pelo banco dos Brics é em moeda local e o Brasil tem defendido alternativas para o dólar, o que desagradou o presidente americano que prometeu não deixar que se destrua a hegemonia do dólar no mundo.

    Ferreira acredita numa negociação e cita o caso do Vietnã, segundo maior produtor de café do mundo, atrás do Brasil, cujas tarifas foram revistas após negociação. ” O governo americano já anunciou tarifas e as revisou. Para o Vietnã eram de 49% e baixou pra 20%”, diz, dizendo que a representatividade do café vietnamita é menor do que a do Brasil. ” O Brasil é celeiro da cafeicultura mundial. Só Brasil tem a diversidade de grãos, produz conilon e arábica”, diz.

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    O presidente do Cecafé diz ainda que a produção mundial de café está aquém do consumo e que se eventualmente um país se beneficiar dessas tarifas e passar a vender mais para os Estados Unidos, o Brasil vai herdar algum mercado que ficar desabastecido com a mudança.

    “Por isso o que a gente imagina é que os governos vão sentar e conversar para achar um ponto de equilíbrio, já que a tarifa é inflacionária para o consumidor americano”, diz. Assim como os setores privados de café americano e brasileiro tem dialogado com respeito, a posição do Cecafé é pela negociação dos poderes públicos com o mesmo respeito para ” aparar as arestas”, diz.

     

     

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