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Pesquisa mostra o tamanho da trombada do governo em nova tentativa de regular apps de delivery

Segundo a pesquisa, a rejeição transcende as divisões partidárias e sinaliza que o tema pode ter implicações eleitorais significativas

Redação VEJAPor Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 18 mar 2026, 08h44 • Atualizado em 18 mar 2026, 12h53
  • Cerca de 71% dos brasileiros se dizem contrários à proposta do governo encabeçada pelo Ministro Guilherme Boulos de implementação de uma taxa mínima de 10 reais por entrega que será paga aos trabalhadores de aplicativos de delivery. As informações foram publicadas nesta terça-feira, 17,  em pesquisa realizada pela Quaest em parceria com a Associação Nacional dos Restaurantes (ANR).

    Na visão de 78% dos entrevistados, o tabelamento levaria a um aumento de preços nos pedidos de comida por apps. Os dados mostram que o debate sobre a regulamentação do trabalho por aplicativos é amplamente conhecido. 87% da população afirma conhecer sobre a discussão, e 76% ouviram falar na proposta do governo para implementação de uma taxa mínima.

    Perguntados sobre quem será mais afetado pela proposta, 86% dizem que serão as pessoas mais pobres. Além disso, sobre a perspectiva de pagar valores mais altos em entregas, 71% dos brasileiros dizem que não pagariam mais, contra 29% que estão dispostos a pagar mais pelas entregas.

    Para Fernando Blower, Presidente Executivo da Associação Nacional de Restaurantes (ANR), a regulamentação dos entregadores é necessária e deve avançar com equilíbrio pensando em soluções que protejam os trabalhadores e a sustentabilidade do setor. “Medidas como a fixação de valores mínimos podem afetar os consumidores, sobretudo os mais vulneráveis, e pressionar a operação de bares e restaurantes, em especial os de pequeno porte, que dependem do delivery”, reforça.

    Felipe Nunes, diretor da Quaest, explica que os dados também revelam que o posicionamento em relação à proposta está fortemente ligado à identidade política. A rejeição é quase unânime entre a direita (97%), enquanto a esquerda demonstra apoio majoritário (84%).

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    Para Nunes, o número mais relevante é o posicionamento dos eleitores independentes, que registram alta rejeição à proposta (83%) – um dado significativo em um ambiente de polarização política, já que esse grupo costuma ser decisivo nas disputas eleitorais. “A rejeição transcende as divisões partidárias e sinaliza que o tema pode ter implicações eleitorais significativas.”, comenta o diretor da Quaest.

    A pesquisa foi realizada entre os dias 13 e 16 de março. Foram entrevistados presencialmente 1.031 brasileiros com 16 anos ou mais. A margem de erro estimada é de 3 pontos percentuais.

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