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Brasileiro se preocupa mais com contas do mês do que com aposentadoria

Levantamento feito pela Universidade de Oxford e a seguradora Zurich em 16 países mostra que 54% no Brasil não têm proteção de renda

Por Larissa Quintino Atualizado em 3 fev 2020, 14h21 - Publicado em 3 fev 2020, 12h23

Apesar da aprovação da reforma da Previdência, que mudou as regras de aposentadoria e exige mais tempo para acesso ao benefício do governo, ainda é baixo o número de brasileiros que fazem planos para se aposentar sem depender apenas da seguridade social pública. Segundo um levantamento feito pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, em parceria com a seguradora Zurich, mais da metade (53,9%) não tem nenhum tipo de proteção de renda – seja previdência privada ou seguro de vida. 

A maior preocupação dos brasileiros, segundo o levantamento, é conseguir pagar as contas do mês, enquanto o temor financeiro de trabalhadores de outros catorze países (Austrália, Finlândia, Alemanha, Hong Kong, Irlanda, Itália, Japão, Malásia, México, Espanha, Suíça, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e Estados Unidos) é o planejamento da aposentadoria, que vem em primeiro lugar. Dos pesquisados, apenas os romenos apresentam preocupação semelhante aos brasileiros: pagar as contas antes de pensar na aposentadoria.

Os dados estão no estudo global People Protection: insigths sobre como capacitar uma força de trabalho ágil, realizado com 18 000 pessoas (1.145 do Brasil), de 20 a 70 anos, em julho do ano passado, em dezesseis países. A análise foi divulgado com exclusividade a VEJA. 

  • O estudo mapeou o total de brasileiros que tem um plano de previdência privada. Dos 1.145 trabalhadores entrevistados, 20% contrataram um plano para complementar renda no futuro. Comparado com outros países, como Alemanha, Irlanda e Romênia, os brasileiros ficam atrás. Na Alemanha e na Irlanda, 43% têm um plano de previdência privada e na Romênia, 41%. 

    De acordo com o levantamento, os brasileiros participantes possuem uma renda mensal média de 5.561,90 reais. Quando se faz uma análise da aquisição de produtos, o seguro de vida, por exemplo, se mostra um instrumento de proteção de apenas 8% dos entrevistados. Em outros países, a exemplo de Hong Kong, chega a 35%, na Malásia, 31%, e nos EUA, 30%. Em relação ao seguro de proteção financeira, só 4% dos brasileiros entrevistados dizem ter. Este número é bem abaixo quando comparado ao México, onde 40% possuem as coberturas para proteger a renda. 

    O estudo aponta ainda que as mulheres estão menos protegidas do que os homens. Das brasileiras que responderam à pesquisa, 59% não têm nenhum tipo de seguro. Entre os homens, o índice é menor e 50% os têm. De acordo com o levantamento, o valor de aquisição de produtos de proteção entre os brasileiros fica abaixo da média global que é de 40% entre as mulheres e 33% entre os homens. “No contexto geral, existe uma grande lacuna de proteção tanto para homens quanto para mulheres, quando se fala em seguros. O estudo indica que, globalmente, duas em cada cinco mulheres, e um em cada três homens, não estão segurados”, diz Fabiano Lima, diretor de Vida, Previdência e Capitalização da Zurich.

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