ASSINE VEJA NEGÓCIOS

Brasil segue sem plano B para diesel dos EUA

Índia conseguiria repor apenas uma fração das exportações americanas

Por Machado da Costa Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 6 out 2026, 14h21
Brasil segue sem plano B para diesel dos EUA Priorize VEJA no Google

O Brasil escapou de uma crise imediata de abastecimento de diesel com o recuo de Donald Trump da ameaça de restringir as exportações americanas, mas o episódio expôs uma vulnerabilidade que continua praticamente intacta: não existe hoje outro fornecedor capaz de substituir rapidamente o volume entregue pelos Estados Unidos.

A dimensão do problema aparece nas contas da S&P Global. Os Estados Unidos exportam aproximadamente 1,5 milhão de barris de diesel por dia para o mercado mundial. A Índia, apontada inclusive pela presidente da Petrobras, Magda Chambriard, como uma das alternativas ao produto americano, conseguiria acrescentar apenas entre 200 mil e 300 mil barris diários à oferta.

Na prática, portanto, mesmo no melhor cenário a capacidade adicional indiana cobriria apenas 20% do volume americano. “Sem esse volume, o balanço não fecha”, afirmou recentemente Felipe Perez, diretor de downstream para a América Latina da S&P Global. 

A situação brasileira é mais delicada porque a concentração cresceu rapidamente. Em setembro, 81% do diesel importado pelo país veio dos Estados Unidos. A S&P afirma que o Brasil dispõe hoje de pouco espaço para diversificar as compras: a oferta do Golfo Pérsico continua prejudicada pelas dificuldades nas rotas marítimas e a Rússia também restringiu seus embarques. 

Há ainda um problema de relógio. Uma carga americana leva normalmente entre uma e duas semanas para chegar à América Latina. Uma carga asiática demora perto de um mês. A estimativa apresentada pela S&P em setembro era de estoques brasileiros equivalentes a aproximadamente vinte dias de consumo. 

O risco imediato diminuiu na sexta-feira, quando os integrantes do G7 concordaram em liberar 100 milhões de barris de petróleo e derivados das reservas de emergência ao longo de quatro meses. Uma parcela relevante do diesel será colocada no mercado já nos primeiros vinte dias. Pouco depois, Trump descartou o bloqueio das exportações americanas. 

O efeito começou a chegar às contas brasileiras. Dados da Abicom mostram que a diferença entre o preço doméstico e a paridade de importação do diesel nos principais polos caiu de R$ 2,97 por litro no domingo para R$ 2,60 nesta segunda-feira. Nos polos da Petrobras, recuou de R$ 3,24 para R$ 2,87. Foram 37 centavos de alívio em apenas um dia.

Continua após a publicidade

Ainda assim, a distância continua enorme. Isso significa que, apesar da melhora internacional, permanece fechada a janela econômica para que importadores tragam volumes adicionais em condições competitivas com o combustível vendido pelas refinarias brasileiras.

O acordo do G7, portanto, resolveu o primeiro problema — impediu, ao menos por enquanto, que Trump fechasse a principal torneira brasileira —, mas não o segundo: se essa torneira for novamente ameaçada, o Brasil ainda não tem de onde retirar, no mesmo prazo, o volume de que precisa.

Continua após a publicidade

Eu gosto especialmente desse último contraste. E tem um detalhe importante para blindar a matéria: eu não escreveria que o G7 “garantiu” o abastecimento brasileiro. O compromisso formal de não restringir exportações vale entre os países do próprio G7; o que protegeu o Brasil foi a declaração separada de Trump de que não faria a proibição das exportações. 

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Capa da revista Veja, um celular e um notebook exibindo o site da revista, sobre fundo preto com texto BLACKFRIDAY repetidoBanner de Black Friday com fundo roxo e preto, exibindo a palavra BLACKFRIDAY repetida. À direita, um laptop prateado com uma imagem de carro na tela, um smartphone com um site de notícias e uma revista Veja aberta com uma foto de comida.
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Essencial

O mercado não espera — e você também não pode!
Com a Veja Negócios Digital, você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
ESQUENTA BLACK FRIDAY

Revista em Casa + Digital Premium

Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Premium
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 9,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).