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Brasil deve se preparar para efeitos do impasse entre Trump e Maduro, diz economista

Para Igor Lucena, entrevistado no programa Mercado, interesses do governo Lula e do Estado brasileiro não são os mesmos diante da crise com Maduro

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 12 dez 2025, 12h30 • Atualizado em 12 dez 2025, 12h30
  • A escalada de tensão envolvendo a Venezuela recoloca o Brasil no centro de um debate delicado na América do Sul. Para o economista Igor Lucena, ouvido no programa Mercado, apresentado por Veruska Donato, o país até tem relevância regional, mas dispõe de pouca margem de manobra diplomática enquanto persistir o atual regime de Nicolás Maduro (este texto é um resumo do vídeo acima).

    Segundo ele, há uma diferença clara entre os interesses do governo brasileiro e os interesses do Estado brasileiro quando o tema é a Venezuela.

    Governo e Estado falam a mesma língua?

    Na avaliação de Lucena, o governo Lula demonstra preferência pela manutenção de Maduro no poder, motivado por afinidades ideológicas. Ele lembra que, mesmo diante de denúncias e questionamentos sobre o processo eleitoral venezuelano, o Planalto evitou críticas mais duras e limitou-se a pedir a divulgação de atas e a reconhecer a oposição em gestos simbólicos.

    Já do ponto de vista do Estado brasileiro, o cenário ideal seria outro. Uma transição para um regime democrático permitiria a reintegração da Venezuela ao Mercosul, abriria caminho para a quitação de débitos com o Brasil e criaria condições mais seguras para investimentos brasileiros no país vizinho, dentro de regras internacionais.

    O que o Brasil pode ganhar com uma mudança de regime?

    Lucena afirma que uma Venezuela democrática representaria “o melhor dos mundos” para o Brasil. Além de reduzir riscos econômicos, a mudança permitiria maior previsibilidade jurídica e comercial, hoje inexistente. Ele lembra que o Brasil já sofreu calotes e que a insegurança institucional afasta investimentos.

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    Apesar disso, o economista avalia que, no atual contexto, o Brasil precisa lidar com uma realidade menos favorável e se concentrar em mitigar riscos imediatos.

    Quais são os riscos concretos no curto prazo?

    Entre os principais pontos de atenção, Lucena cita a possibilidade de uma intervenção americana e seus reflexos diretos sobre o território brasileiro. Nesse cenário, o país teria de reforçar a defesa de fronteiras e se preparar para uma eventual crise humanitária, com fluxo migratório intenso, sobretudo nos estados do Norte.

    Outro risco destacado é a eventual fuga de lideranças corruptas e de facções criminosas venezuelanas para países vizinhos, incluindo o Brasil. Para isso, segundo o economista, será fundamental a atuação coordenada da Polícia Federal e das Forças Armadas no controle das fronteiras.

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    Há espaço para mediação brasileira?

    Para Lucena, o espaço de atuação diplomática do Brasil é limitado enquanto for “muito nítido” o desejo do governo brasileiro de manter o atual regime venezuelano — algo que, segundo ele, não encontra tolerância por parte dos Estados Unidos.

    Nesse cenário, conclui, mais do que buscar protagonismo político, o Brasil precisa estar preparado para os efeitos colaterais do conflito e para um ambiente regional cada vez mais instável.

    VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Mercado (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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