Brasil corre risco de estagnação e desemprego se não preparar profissionais para a IA, diz especialista
Estudo do Fórum Econômico Mundial classifica cenários para o futuro do mercado de trabalho a partir da IA
Um estudo publicado em janeiro pelo Fórum Econômico Mundial aponta cenários possíveis para o futuro do mercado de trabalho a partir das transformações trazidas pela Inteligência Artificial (IA). Na hipótese mais otimista, chamada “progresso turbinado”, o avanço da IA se dará de maneira exponencial, ao mesmo tempo que a força de trabalho estaria amplamente preparada para se adaptar à nova tecnologia. Já o cenário mais sombrio foi apelidado pelo estudo de “a era do despejo”, na qual o mundo sofreria com altas taxas de desemprego, resultado da substituição de pessoas por sistemas de IA.
O Brasil não está em rota definitiva para a perspectiva mais danosa, mas também não pode descartá-la, segundo Luiza Zequi, CEO da Piera Future Lab, unidade de inovação e educação executiva da consultoria Pieracciani. “Corremos o risco de sofrer com a estagnação e um alto nível de desemprego”, diz. “Não apenas para a geração atual, mas para as que estão por vir”. A especialista argumenta que, para preparar o país para o futuro, é preciso focar na qualificação e adaptação de talentos.
O estudo do Fórum corrobora com a análise. “A longevidade de habilidades profissionais está diminuindo e isso demanda uma agilidade maior e visão de futuro por parte de sistemas de educação e treinamento”, escrevem os pesquisadores. Zequi aponta que o processo de adaptação à IA está em ritmos diferentes a depender do país analisado. “A Índia é um caso que me surpreendeu. Eles estão à frente do Brasil, assim como a China está à frente”, diz.
Os chineses e os indianos têm estratégias de longo prazo para a nova tecnologia, investindo consistentemente na formação de pessoas em áreas relacionadas à inovação e engenharias, lembra a especialista. “No Brasil, estamos focando demais em soluções de IA de curto prazo e sem tanto planejamento”, diz.
A fórmula apontada pelos especialistas para garantir proveitos do país parte do casamento entre investimentos em inteligência artificial e capacitação de talentos. Se houver uma lacuna das habilidades de profissionais para a IA, isso pode criar um problema sucessório para as empresas, que sofreriam com uma profunda escassez de pessoas aptas para trabalhar na nova realidade tecnológica.
“As competências típicas do ser humano continuarão sendo as mais importantes”, diz a executiva da Piera Future Lab. Alguns cargos e atividades de hoje deixarão de existir, mas as funções que sobrarem terão em comum o fato de serem centradas em habilidades humanas, que a Inteligência Artificial não sabe copiar. Cabe às empresas mapear as transformações que estão por vir, mas a consultora tem receios sobre o assunto não está sendo tratado com seriedade: “Gostaria de ver essa pauta como prioritária nos conselhos das empresas”.





