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Bolsa tem maior alta em dez meses com reforma ministerial

Avanço desta sexta, de 3,8%, foi movido pela visão dos investidores de que cenário político ficou menos tenso; dados dos EUA também contribuíram para a disparada

Por Da Redação - 2 out 2015, 18h41

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registrou a sua maior alta em mais de dez meses nesta sexta-feira, refletindo a reação positiva do mercado ao anúncio da reforma ministerial pela presidente Dilma Rousseff e aos dados de emprego dos Estados Unidos, que podem fazer com que o Federal Reserve, o banco central americano, demore mais para elevar a taxa de juros do país.

O Ibovespa, principal índice da bolsa, subiu 3,8%, a 47.033 pontos, maior alta desde 21 de novembro de 2014. Na semana, o Ibovespa acumulou avanço de 4,9%. O giro financeiro do pregão totalizou 5,4 bilhões de reais.

Com o anúncio da reforma promovida por Dilma – uma espécie de “pacote político” para recuperar o apoio da base e a confiança dos agentes econômicos -, os investidores aceleraram a busca por papéis, em especial durante a tarde. Dilma cortou oito ministérios, acabou com 30 secretarias das pastas remanescentes, fechou 3.000 cargos na máquina pública e reduziu em 10% o salário dos ministros e o seu próprio. Entre os ministérios remanescentes, sete foram para as mãos do PMDB. E Aloizio Mercadante foi deslocado da Casa Civil – onde tinha influência na política econômica – para a Educação. As mudanças, na visão do mercado financeiro, podem ajudar a recuperar a governabilidade.

“O mercado interpreta isso como uma ação, algo que o governo não fez em nenhum momento e tinha ficado devendo. Agora cortou na carne”, disse o analista Raphael Figueredo, da Clear Corretora, para quem a situação política instável está entre os principais fatores de pressão para as ações brasileiras.Figueredo apontou ainda que a Bovespa teve o amparo dos índices norte-americanos, que caíram pela manhã mas acabaram fechando com ganho superior a 1%.

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Com essa leitura, as ações das estatais estiveram entre os papéis que mais subiram, afetadas ainda por um forte recuo nos últimos dias. As ações da Petrobras dispararam mais de 9%. O Banco do Brasil avançou mais de 6%; Eletrobras, em torno 6%; e a Vale, de 3%. Os papeis dos bancos privados, como Bradesco, Itaú e Santander, também tiveram altas superiores a 3%.

No exterior, o foco foram os dados de emprego dos EUA que mostraram que o setor privado no país, excluindo o agrícola, criou 142 mil postos de trabalho em setembro, enquanto dados de agosto foram revisados para um ganho de apenas 136.000 vagas. Foi a menor alta observada em dois meses em mais de um ano.

Os dados alimentaram temores de que a desaceleração global, especialmente da China, esteja enfraquecendo os Estados Unidos. Mas, no curto prazo, o número foi visto como maior chance de o banco central elevar o juro do país só em 2016, o que é positivo para mercados emergentes, como o Brasil, segundo o operador de renda variável Luiz Roberto Monteiro, da Renascença DTVM.

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(Com agências)

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