Bolsa cai pressionada por cenário externo e indefinição eleitoral | VEJA
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Bolsa cai pressionada por cenário externo e indefinição eleitoral

Para analistas, a indefinição do candidato de centro e a disputa comercial entre EUA-China preocupam mais neste momento

Por Gilmara Santos Atualizado em 6 abr 2018, 18h32 - Publicado em 6 abr 2018, 18h08

A ordem de prisão contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não animou o mercado financeiro. O índice Ibovespa, da Bolsa de Valores de São Paulo, fechou nesta sexta-feira em baixa de 0,46%, aos 84.820,42 pontos. No mercado de câmbio, o dólar comercial subiu 0,78% e fechou cotado a 3,367 reais para compra e 3,368 reais para venda.

Para analistas, a indefinição eleitoral agora causa mais preocupação do que a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“A possível prisão do ex-presidente cria condições cada vez menores para que ele participe das eleições e a reação do mercado tende a ser positiva, mas é necessário ter um candidato forte de centro que faça as reformas necessária”, avalia Roberto Indech, analista-chefe da Rico Investimentos, do Grupo XP.

 

  • Para Marcos Mollica, sócio-gestor da Rosenberg Investimentos, a falta de previsibilidade sobre o quadro eleitoral deixa o investidor estrangeiro reticente em relação ao Brasil. “Qualquer cenário é possível. Vamos entrar em um período mais volátil”, considera Mollica.

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    Mesmo com essa indefinição pressionando os mercados, especialistas consideram que não é o momento de fazer grandes movimentos na carteira de ações. “É hora de esperar mais definição sobre o cenário eleitoral. A tendência para longo prazo é positiva. Resta definir quem serão os candidatos à presidência”, diz Mollica.

    O estrategista-chefe da XP Investimentos, Celson Plácido, considera que a possibilidade de vitória de um reformista nas próximas eleições aumentam com Lula fora da disputa. “A possibilidade de transferência de votos para um sucessor é pequena. A preocupação maior hoje é com o mercado externo”, diz Plácido.

    Cenário externo

    Além das questões políticas, a Bolsa brasileira sente o impacto do mercado externo. Nesta sexta-feira, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, operou no negativo e o dólar em alta, reflexo da disputa comercial entre China e Estados Unidos.

    A Casa Branca decidiu impor barreiras à China sob alegação de violação de propriedade intelectual. Em resposta, Pequim anunciou novas tarifas sobre os produtos norte-americanos. “O mercado externo se complicou muito e hoje, além dos problemas internos, há reflexo dos relacionados à disputa comercial entre China e Estados Unidos, o que tem prejudicado bastante a Bolsa”, diz Indech.

    Nesta sexta-feira saíram também dados sobre emprego nos EUA, que teve resultado pior do que o projetado pelo mercado. O resultado é um termômetro para aumento de juros naquele país. “Os resultados da economia norte-americana divulgados hoje influenciaram o resultado da Bolsa, mas é importante destacar que no dia anterior o Ibovespa teve alta e a queda de hoje pode ser um ajuste do mercado”, opina o analista Filipe Ferreira, da ComDinheiro.

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