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BC vê inflação persistente com energia cara e observa retomada de serviços

Ata do Copom diz que atividade econômica surpreende e se atenta ao comportamento de preços do setor de serviços, que irá aquecer com o avanço da vacina

Por Larissa Quintino Atualizado em 22 jun 2021, 20h58 - Publicado em 22 jun 2021, 09h12

O cenário visto nessa mesma época do ano passado se inverteu. Em 2020 se falou de deflação e depois de pressão temporária nos preços, com a recuperação da atividade em desafio longínquo. Agora, o cenário é oposto. Na ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que elevou a Selic para 4,25% ao ano na última semana, o BC diz que a atividade econômica está surpreendendo positivamente. Já a inflação, que vinha de “pressões baixistas” no primeiro semestre do ano passado, depois em uma alta “temporária” na segunda metade do ano passado, agora é considerada “persistente”.

De acordo com a ata divulgada nesta terça-feira, 22, os motivos da preocupação nos preços no momento estão na alta da tarifa de energia elétrica, tendo impacto nos preços administrados, e também a pressão nos bens industriais. Em julho, a conta de energia que já está cara deve subir mais, já que a cobrança extra das bandeiras tarifárias deve ter reajuste. Segundo o BC, o mercado vê que a bandeira vermelha deve seguir até o ano, no patamar 1. O BC também cita que há um risco de alta nos preços diretamente relacionado com a recuperação das atividades, especialmente dos serviços. O Comitê segue atento à evolução desses choques e seus potenciais efeitos secundários, assim como ao comportamento dos preços de serviços conforme os efeitos da vacinação sobre a economia se tornam mais significativos.”

O setor de serviços foi o que sofreu maior impacto da crise causada pelo novo coronavírus na economia. Com a aceleração da vacinação, as restrições às atividades devem reduzir e há perspectiva que os preços dos serviços passem a subir junto com a volta desta demanda, ainda reprimida. Vale lembrar que os serviços são o maior setor do PIB. Segundo o BC, “a despeito da intensidade da segunda onda da pandemia, os últimos dados disponíveis continuam surpreendendo positivamente”.

Em contrapartida, fatores que pressionaram a inflação recentemente, como a desvalorização do real e a alta das commodities sinalizam uma mudança de direção, com o dólar um pouco mais baixo.

Juros

Todo esse cenário deve impactar novamente em altas na Selic. Na ata, o Banco Central diz que avalia  uma “redução mais tempestiva dos estímulos monetários” na semana passada, ou seja, uma alta maior dos juros. “Considerando os diversos cenários alternativos, o Comitê entendeu que a melhor estratégia seria a manutenção do atual ritmo de redução de estímulos [com um aumento menor dos juros], mas destacando a possibilidade de ajuste mais tempestivo na próxima reunião”, acrescentou a instituição.

Desde março, o BC vem elevando a taxa básica de juros. Em três reuniões, o ajuste foi de 0,75 ponto percentual, saindo de 2% no início do ano para 4,25% ao ano atuais. “Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, diz o Copom a justificar a decisão.

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