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BC eleva previsão de inflação e indica: alta dos juros pode seguir

Ata da reunião em que Copom elevou Selic a 10,50% ao ano mostra que colegiado espera inflação acima do centro da meta em 2014 e 2015

Por Da Redação 23 jan 2014, 08h42

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou sua previsão de inflação para 2014 e acredita que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficará acima do centro da meta do governo não apenas neste ano, como também em 2015. É o que mostra a ata da última reunião do colegiado, divulgada nesta quinta-feira, em que os membros do Copom explicam por que optaram, por unanimidade, por elevar a taxa básica de juros do país, a Selic, em 0,5 ponto porcentual, para 10,50% ao ano. A resistência da inflação é o motivo pelo qual o BC indica no mesmo documento que seguirá com sua política de aperto monetário, ou seja, novas elevações da taxa de juros não estão descartadas. “O Copom entende ser apropriada a continuidade do ritmo de ajuste das condições monetárias ora em curso”, diz o texto.

A decisão tem por objetivo, segundo o documento, evitar “danos” que possam ser causados pela elevação dos preços, especialmente sobre o consumo e investimentos. Na visão do Copom, nos últimos doze meses a inflação está superando as expectativas, permanecendo acima do centro da meta do governo, de 4,5%, o que deve ser visto ainda em 2014 e 2015. “O Copom pondera que a elevada variação dos índices de preços ao consumidor nos últimos doze meses contribui para que a inflação ainda mostre resistência, que, a propósito, tem se mostrado ligeiramente acima daquela que se antecipava.”

Para 2015, o documento traz apenas que “em ambos os cenários, a projeção de inflação se posiciona acima da meta” e não detalha se houve um movimento de alta ou de baixa em relação à perspectiva anterior. Vale lembrar que, no Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado ao final de dezembro do ano passado, o BC havia informado que, no cenário de referência, sua expectativa era de uma inflação em 5,6% ao final de 2014 e de 5,4% no encerramento do ano que vem. Já no cenário de mercado, a projeção do Copom é de IPCA encerrando 2015 em 5,3% – a mesma taxa de 5,6% é aguardada para o acumulado deste ano.

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Em 2013, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 5,91%, pressionado pelo preço dos alimentos e acima do visto em 2012 (5,84%). O colegiado destaca, porém, que os preços das commodities nos mercados internacionais devem se acomodar, “bem como de focos de tensão e de volatilidade nos mercados de moeda”. Além disso, o BC projeta estabilidade nos preços da gasolina para o acumulado de 2014, indicando que a Petrobras poderá ficar sem reajustes no período. Com isso, a inflação pode ficar um pouco mais controlada no ano.

No cenário internacional, o Copom projeta riscos ainda elevados, inclusive com mudanças na inclinação da curva de juros em importantes economias desenvolvidas. O colegiado ainda vê baixa probabilidade de ocorrência de eventos extremos nos mercados financeiros internacionais, mas lembra que o ambiente externo permanece complexo.

Diante disso, o Comitê reafirmou que a “política monetária deve se manter especialmente vigilante, de modo a minimizar riscos de que níveis elevados de inflação, como o observado nos últimos doze meses, persistam no horizonte relevante para a política monetária”. Indicou, assim, que novas elevações nos juros podem vir nas próximas reuniões. Mas, faz a ressalva de que os efeitos das ações de política monetária para a inflação ocorrem com defasagens. O Copom se reunirá novamente em 25 de fevereiro.

No comunicado após a decisão do Copom e que foi repetida na ata, a inclusão da expressão “neste momento” foi vista por analistas como um sinal de que o BC poderia reduzir o ritmo ou até mesmo encerrar o ciclo em breve, após sete altas seguidas na Selic. O atual ciclo de aperto monetário foi iniciado em abril passado, quando a Selic estava na mínima histórica de 7,25%. Pesquisa Focus do BC mostra que a projeção dos analistas é de que o IPCA encerre 2014 a 6,01%, enquanto a Selic iria a 10,75%.

(Com agência Reuters e Estadão Conteúdo)

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