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BC afirma que BVA encerra onda de bancos com problemas

Sete instituições financeiras quebraram nos últimos 2 anos. Colaboraram a isso a crise global, fraudes no Panamericano e crescimento do crédito na economia

Por Da Redação - 21 out 2012, 10h59

Sete instituições financeiras quebraram no Brasil nos últimos dois anos. Nesta novela, que de ficção não tem nada, o primeiro protagonista foi o Panamericano, que acabou salvo após a ajuda do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e a venda da participação de Silvio Santos para o BTG Pactual de André Esteves. O mais recente capítulo foi escrito sexta-feira, com a intervenção do Banco Central (BC) no pequeno BVA, que tinha apenas 0,17% dos ativos do sistema.

Normalmente avesso a fazer comentários públicos extensos a respeito desses temas, o Banco Central, desta vez, não hesita: o evento BVA foi o último da safra iniciada com o estouro da crise internacional. “Todas as fragilidades identificadas (nos últimos anos) foram integralmente endereçadas”, afirmou o diretor de Fiscalização do BC, Anthero de Moraes Meirelles.

Pela primeira vez, Meirelles fala aberta e profundamente sobre o trabalho realizado pelo BC nos últimos anos, marcados por uma conjuntura desfavorável no qual se misturaram a crise global, as fraudes no Panamericano e o forte crescimento do crédito na economia brasileira, que saiu de 23% para mais de 50% do Produto Interno Bruto (PIB) de 2003 a 2012.

“Foi um saneamento importante. É sempre bom tirar os problemas do sistema, que, assim, fica mais forte”, disse ele, fazendo a ressalva de que o equilíbrio de qualquer sistema financeiro do mundo é instável e pode mudar a todo instante. “Jamais podemos dizer que o trabalho se concluiu.” Para ilustrar, ele dá um exemplo hipotético: um banco pode tomar uma multa pesada da Receita Federal ou perder uma ação trabalhista enorme.

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Crise – Independentemente do porte do banco, problemas como o do BVA aumentam a insegurança no sistema financeiro. Banqueiros de instituições menores relatam que as dificuldades para captar dinheiro, que já são grandes desde a eclosão da crise em 2008 e cresceram com o caso Panamericano, se aprofundam.

Em meio a essa realidade difícil, as especulações de analistas e investidores sobre quem seria o próximo da lista não cessam – o que pode provocar aquilo que se chama no mercado de profecia autorrealizável. Ou seja, rumores frequentes sobre alguma entidade financeira podem acabar culminando com sua quebra.

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Porém, o diretor de Fiscalização do BC garante que, assim como Avenida Brasil, a novela do sistema bancário brasileiro iniciada em 2010 com o caso Panamericano terminou na sexta-feira. Mas, diferentemente do mundo fictício da TV, sem final feliz para vários dos personagens envolvidos.

(Com Agência Estado)

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