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Bares e restaurantes ‘vão perder’ com a reforma tributária

Advogado explica como as mudanças podem provocar demissões e aumento de preços

Por Veruska Costa Donato 18 mar 2026, 13h39 • Atualizado em 18 mar 2026, 13h40
  • A entrevista com o advogado Fernando Moreira joga luz sobre um ponto que muita gente ainda não percebeu: mesmo com alíquota reduzida, bares e restaurantes devem pagar mais imposto. Na prática, a promessa de alívio tributário não se sustenta quando se coloca na ponta do lápis. Hoje, muitos estabelecimentos operam com cargas entre 6% e 12% no Simples ou até 11% no Lucro Presumido. Com a reforma, esse número tende a subir — e isso muda o jogo.

    Folha de pagamento

    O problema central está na engrenagem da não cumulatividade, que, em teoria, permitiria descontar créditos ao longo da cadeia. Só que, no mundo real desse setor, esses créditos são escassos. A folha de pagamento, que representa cerca de 40% dos custos, não gera abatimento. E itens básicos, como alimentos da cesta essencial, também não ajudam nessa conta. Resultado: o benefício existe no papel, mas não chega com força no caixa.

    As bebidas

    Outro ponto sensível está onde muitos negócios garantem sua rentabilidade: as bebidas. Aqui, a tributação será cheia, com cerca de 28%, além do chamado imposto seletivo — o “imposto do pecado”. É justamente nesse segmento que bares e restaurantes costumam compensar margens mais apertadas da comida. Com essa pressão extra, o equilíbrio financeiro fica ainda mais delicado.

    Fluxo de caixa

    A mudança no fluxo de caixa também preocupa. O modelo de split payment prevê que o imposto seja recolhido no ato da transação, seja no Pix ou no cartão. Parece detalhe técnico, mas não é. Hoje, o empresário ganha fôlego ao pagar tributos depois de semanas. Com a nova regra, esse capital de giro desaparece, exigindo uma gestão muito mais apertada e menos margem para erro.

    Emprego e preços mais caros

    No fim, o impacto tende a respingar no consumidor e no emprego. Moreira alerta que empresas podem rever contratos, evitar fornecedores do Simples e até enxugar operações — com cardápios menores ou menos dias de funcionamento. A conta, como quase sempre, não fica parada: ela anda até o preço final e pode chegar também na forma de demissões ou portas fechadas.

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