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Após ano dos recordes na bolsa, desafio do equilíbrio fiscal preocupa mercado

Só com esse pano de fundo a janela de IPOs será reaberta no país

Por Márcio Juliboni Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 25 dez 2025, 08h00 •
  • Há tempos não se via uma arrancada tão vigorosa da bolsa brasileira quanto a de 2025. O Ibovespa, seu principal indicador, encerra o ano com valorização na casa dos 30%, revertendo a queda de 10% registrada em 2024. Lá fora, o humor também foi positivo: S&P 500 e Nasdaq, os dois índices mais importantes de Wall Street, avançaram, em média, 20% em 2025, reforçando o bom momento para o mercado de capitais no cenário global. No momento mais impressionante do ano, o Ibovespa enfileirou quinze altas consecutivas entre o final de outubro e 11 de novembro — uma sequência como essa não ocorria desde 1994. De acordo com analistas, o retorno dos investidores estrangeiros foi o grande responsável por transformar 2025 em um ano memorável para a bolsa brasileira. Até meados de dezembro, os estrangeiros acumulavam saldo líquido de 21,5 bilhões de reais aplicados na B3.

    Enquanto o capital estrangeiro voltava a engordar o caixa da B3, os investidores institucionais brasileiros decidiram ir na direção oposta. Fundos de pensão e seguradoras, tradicionalmente mais avessos a risco, migraram para a renda fixa, atraídos pelos juros elevados — a Selic encerra 2025 em 15% ao ano —, retirando 50 bilhões de reais da bolsa no acumulado do ano até meados de dezembro. Parte dos papéis vendidos foi absorvida pelos investidores pessoa física, que aportaram cerca de 4,8 bilhões de reais na B3 em 2025. O ótimo desempenho do Ibovespa e a volta do dinheiro estrangeiro não convenceram, contudo, mais empresas a abrir o capital. A última oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) ocorreu em 2021, no auge da pandemia de covid-19, quando a B3 atingiu o recorde de 463 companhias listadas. Desde então, o número só encolheu. Em 2025, 29 companhias deixaram a bolsa brasileira, que conta agora com 358 listadas. Para que o ciclo vire de vez, não basta um rali como o ocorrido em 2025: é preciso um ambiente macroeconômico mais estável, ancorado sobretudo no equilíbrio fiscal, e que leve à esperada queda dos juros. Só com esse pano de fundo a janela de IPOs será reaberta no país.

    Publicado em VEJA de 24 de dezembro de 2025, edição nº 2976

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