Assine VEJA por R$2,00/semana
Continua após publicidade

Apesar de cenário diferente, Copom deve manter Selic em 13,75%

Analistas de mercado apontam manutenção da taxa pela quarta reunião consecutiva diante do aumento da pressão inflacionária

Por Larissa Quintino Atualizado em 22 mar 2023, 10h06 - Publicado em 22 mar 2023, 08h58

O Comitê de Política Monetária (Copom) anuncia nesta quarta-feira, 22, sua decisão sobre a taxa básica de juros, a Selic. E apesar das pressões crescentes para a diminuição dos juros, o mercado financeiro projeta que o BC deve manter a taxa em 13,75% pelo quarto encontro consecutivo.

Desde a última reunião do Copom, encerrada em 1º de fevereiro, as expectativas para a inflação se deterioraram ainda mais. Ao fim de janeiro, o Boletim Focus estimava o IPCA em 5,74% e, no relatório pulicado na segunda-feira, o mercado projeta a inflação oficial em 5,95%, seguindo acima do teto da meta e ainda mais pressionada. Além disso, o núcleo da inflação brasileira é alto, o que pesa para que o BC faça um corte maior nos juros. As expectativas inflacionárias de longo prazo para os próximos dois anos também subiram, com projeções acima de 4% em 2024 e próximas a esse patamar em 2025, afastando-se da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

As pressões para a diminuição da Selic, entretanto, vêm de todos os lados. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, volta e meia, sobe o tom contra Roberto Campos Neto, titular do BC, pedindo desde a mudança nas metas de inflação, consideradas muito baixas, até questionamentos sobre a independência do Banco Central. Há pressões também vindas do setor produtivo, em especial da indústria. O encarecimento do crédito tanto para empresas quanto para o consumidor, diminui a demanda.

“A discussão sobre reduzir a taxa é válida e existe sim espaço para isso. Mas o governo precisa fazer o seu dever de casa, dar sinalizações mais claras de que tem responsabilidade fiscal, buscar reverter o quadro de desancoragem  da inflação, e adotar um tom mais ponderado ao abordar questões nefrálgicas para a saúde da economia a longo prazo, para que o tão almejado crescimento do país, seja sustentável”, afirma Bruno Monsanto, assessor de investimentos e sócio da RJ+ Investimentos. 

Continua após a publicidade

Porém, a maior diferença entre o Copom dessa semana e a última reunião é a mudança do cenário internacional. Nas duas últimas semanas, houve a eclosão de uma crise bancária, com a quebra dos bancos americanos Silicon Valley Bank e Signature Bank e o derretimento do suíço Credit Suisse, agora vendido para o maior banco do país, o UBS. No caso dos bancos americanos, de médio porte, a alta na taxas de juros e o desbalanceamento das carteiras culminou na quebra das instituições, subindo a pressão para que o Federal Reserve Bank (FED) reduza os juros por lá, numa reunião que também acontece nessa quarta-feira. O cenário internacional pressiona os juros aqui, apesar de não haver sinais de contágio no sistema bancário brasileiro, mas por mostrar o aperto das condições internacionais.

A maioria dos especialistas de mercado espera que a taxa Selic comece a diminuir no segundo semestre deste ano, com a possibilidade de chegar entre 12,75% a 12,25% em dezembro. No entanto, uma parte do mercado acredita que o Banco Central tem espaço para iniciar a redução das taxas de juros nos próximos meses. Por isso, além da decisão dos juros em si, o comunicado do comitê é muito aguardado para sinalizar os rumos da política monetária daqui em diante. 

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

10 grandes marcas em uma única assinatura digital

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 2,00/semana*

ou
Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 39,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$96, equivalente a R$2 por semana.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.