Alunorte se destaca com a busca do alumínio verde
Com um ambicioso projeto de descarbonização e investimentos para elevar a produtividade, a Alunorte planeja mudar o jogo no mercado global de alumina
A distância entre Oslo, capital da Noruega, e Barcarena, no Pará, é de 8 500 quilômetros, mas, no mundo dos negócios, as cidades estão bem mais próximas. Afinal, é no município brasileiro que está uma das mais vistosas joias do gigante norueguês Hydro: a Alunorte, maior refinadora de alumina fora da China, com capacidade de processar 6,3 milhões de toneladas por ano da matéria-prima essencial para fabricar alumínio.
Em um mercado global avaliado em 200 bilhões de dólares, escala é essencial — e é nisso que reside o sucesso da Alunorte. A empresa opera de forma verticalizada, sendo abastecida com a bauxita enviada pela mina da Hydro, em Paragominas (PA), por um mineroduto de 244 quilômetros. Desde que assumiram o controle do complexo em 2011, os noruegueses realizaram grandes investimentos que já mostram bons resultados.
Sua produção efetiva, por exemplo, supera a capacidade nominal, graças a ganhos de produtividade. Com isso, em 2025, o lucro cresceu 32%, para 1,5 bilhão de reais — número que contribui para que a Alunorte seja a campeã do ranking TOP30 na categoria metalurgia e siderurgia. “Isso é fruto de um time motivado e que implantou inúmeras melhorias”, diz Phillip McIntosh, que assumiu a presidência da Alunorte em julho.
O executivo volta a Barcarena onze anos após sua primeira passagem pelo Brasil, quando ocupou cargo semelhante na Albras — outra empresa do grupo — de 2013 a 2015. Agora enfrenta dois desafios. O primeiro é a forte volatilidade da cotação internacional do alumínio, devido à guerra dos Estados Unidos contra o Irã. O segundo é se enquadrar às regras da União Europeia para a descarbonização dos produtos que ingressam no seu mercado. Nesse aspecto, McIntosh crê que a Alunorte dará respostas rápidas. “A meta da Hydro é zerar as emissões de carbono até 2050, mas trabalharemos para fazer isso antes”, diz.
Um trunfo é o programa de substituição do óleo combustível e do carvão mineral na produção, que já custou mais de 1,6 bilhão de reais, uma iniciativa elogiada no setor. “O projeto de transição energética da Alunorte valoriza o produto com um ‘prêmio verde’ no mercado Atlântico (Europa e Estados Unidos)”, segundo relatório da consultoria britânica CRU. O projeto começou em 2024, a fim de adotar o gás natural e as energias eólica e solar. Para baixar o consumo do carvão, a Alunorte desenvolveu com a Universidade Federal do Pará uma biomassa proveniente do caroço de açaí, resíduo abundante na região.
“É uma solução que pode mudar o jogo no mercado global de alumina”, diz McIntosh. Não é um exagero. O projeto reduz as emissões anuais de carbono em 400 000 toneladas por caldeira convertida. Com isso, sua emissão é de 0,45 tonelada de CO2 por tonelada de alumina, ante 1,20 tonelada da média do setor. O futuro da Alunorte é cada vez mais sustentável — e o planeta agradece.
Publicado em VEJA, agosto de 2026, edição VEJA Negócios nº 29







