Além das compras: Multiplan amplia investimentos e aposta em complexos multiúso
Com investimentos de R$ 1,4 bi, companhia tem como estratégia ocupar um espaço cada vez maior na rotina dos consumidores
Os shopping centers ganharam novas funções nos últimos anos. Além das lojas, passaram a reunir casas de espetáculos, teatros, academias, clínicas médicas, laboratórios e muitos outros serviços capazes de prolongar a permanência dos consumidores e gerar fontes adicionais de receita. A Multiplan percebeu cedo essa mudança. “No banco de terrenos, temos mais de 800 000 metros quadrados de área para desenvolvimento de complexos do tipo multiúso”, diz Eduardo Kaminitz Peres, presidente da companhia fundada em 1974 por seu pai, José Isaac Peres, no Rio de Janeiro. Em 2025, a empresa registrou receita líquida de 1,7 bilhão de reais e lucro líquido de 1,1 bilhão, com margem de 66,5%. Os números garantiram à Multiplan o primeiro lugar no ranking TOP30 entre as empresas do setor de Administração de Bens e Empreendimentos Imobiliários.
Entre as apostas mais recentes da Multiplan está o Golden Lake, primeiro bairro residencial privativo em construção em Porto Alegre, ao lado do BarraShoppingSul. O projeto prevê oito condomínios — o primeiro já foi entregue e o segundo está em construção. No interior de São Paulo, o complexo multiúso do RibeirãoShopping reúne torres residenciais, edifícios empresariais, hospital e hotel em torno do shopping center da rede em Ribeirão Preto. Para abrir novas frentes de crescimento, a companhia conduz desde 2024 um ciclo de investimentos de 1,4 bilhão de reais, destinado a sete expansões e à revitalização de todo o portfólio. As ampliações do MorumbiShopping, em São Paulo, e do BH Shopping, em Belo Horizonte, já foram concluídas. O BarraShopping, no Rio de Janeiro, e o ParkShopping, em Brasília, estão entre os próximos empreendimentos a receber obras.
Na avaliação de Francisco Ritondaro, presidente da consultoria Gouvêa & Saggezza Malls, a mudança no comportamento do consumidor é o principal fator por trás da reinvenção dos shoppings. “Menos de quatro em cada dez frequentadores visitam um shopping center com intenção exclusiva de compra”, diz. No modelo multiúso, que vem apresentando melhor desempenho no mercado, espaços fitness e de beleza são cada vez mais comuns, com grandes academias ocupando áreas privilegiadas. “Estamos falando de centenas de alunos frequentando o shopping diariamente ou quase todos os dias”, afirma Ritondaro.
A dificuldade de deslocamento nas metrópoles é outro fator que impulsiona o modelo multiúso. Ao facilitar a vida das pessoas, permitindo que elas tenham acesso a diferentes serviços em um único lugar, o shopping fideliza o consumidor, que busca cada vez mais praticidade e conveniência. Se antes o sucesso de um empreendimento era medido sobretudo pelo volume de vendas, hoje conta também sua capacidade de fazer parte da rotina das pessoas. Ao oferecer um rol imenso de atividades, complexos como os da Multiplan poupam deslocamentos e disputam o recurso mais escasso das grandes cidades: o tempo.
Publicado em VEJA, agosto de 2026, edição VEJA Negócios nº 29







