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IEA recomenda home office, menos carros e corte de consumo diante do maior choque do petróleo

Medidas emergenciais podem reduzir a demanda e refletem impacto direto da guerra entre Irã e Israel, que compromete oferta global

Por Ernesto Neves 20 mar 2026, 11h50 • Atualizado em 20 mar 2026, 12h36
  • A Agência Internacional de Energia orientou países a adotarem imediatamente medidas para reduzir o consumo de combustíveis, incluindo incentivo ao trabalho remoto, redução de velocidade em rodovias, uso ampliado de transporte público e restrições ao uso de carros em grandes cidades.

    A recomendação ocorre em resposta ao que a entidade classifica como a maior disrupção de oferta da história do mercado de petróleo, desencadeada pela escalada militar no Oriente Médio.

    As diretrizes fazem parte de um pacote emergencial voltado a conter a demanda em um cenário em que a oferta global foi abruptamente afetada.

    A IEA também indicou que pode ampliar a liberação de estoques estratégicos, atualmente estimados em cerca de 1,4 bilhão de barris, como forma de mitigar os impactos imediatos da crise.

    O choque energético tem origem na intensificação do conflito entre Israel e Irã, que passou a atingir diretamente ativos críticos de petróleo e gás.

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    O ataque ao campo de South Pars, o maior do mundo, comprometeu parte relevante da produção iraniana de gás, responsável por abastecer a maior parte da demanda interna do país e sustentar setores industriais e de geração elétrica.

    Ao mesmo tempo, o fluxo de petróleo foi severamente impactado pelo risco no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo global.

    Os preços internacionais reagiram rapidamente. Petróleo, gás natural e derivados como diesel, querosene de aviação e GLP registraram alta, pressionando cadeias produtivas e elevando custos para consumidores e empresas.

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    A volatilidade aumentou em meio à incerteza sobre a duração do conflito e a possibilidade de novos ataques à infraestrutura energética.

    Na Europa, a crise dominou a agenda política. Líderes discutem medidas para conter os impactos econômicos e revisar instrumentos regulatórios, como o mercado de carbono.

    O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, criticou tentativas de enfraquecer políticas climáticas sob o argumento da emergência energética.

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    Na Ásia, empresas do setor elétrico já ampliam o uso de carvão para garantir abastecimento e reduzir custos, em um movimento que evidencia a pressão imediata sobre sistemas energéticos nacionais.

    A substituição de fontes mais caras ou escassas por carvão indica um recuo pontual na transição energética.

    Especialistas apontam que a crise combina três fatores críticos: interrupção física da oferta, gargalos logísticos e reação especulativa dos mercados.

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    Para Simon Stiell, secretário-executivo da ONU para o clima, o episódio reforça a necessidade de acelerar a transição energética e reduzir a dependência de combustíveis fósseis concentrados em regiões geopolíticas instáveis.

    No curto prazo, porém, o foco permanece na contenção da crise. A orientação da IEA sinaliza que, diante da limitação das respostas do lado da oferta, a redução do consumo será determinante para evitar um agravamento ainda maior dos preços e dos impactos econômicos globais.

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