IEA recomenda home office, menos carros e corte de consumo diante do maior choque do petróleo
Medidas emergenciais podem reduzir a demanda e refletem impacto direto da guerra entre Irã e Israel, que compromete oferta global
A Agência Internacional de Energia orientou países a adotarem imediatamente medidas para reduzir o consumo de combustíveis, incluindo incentivo ao trabalho remoto, redução de velocidade em rodovias, uso ampliado de transporte público e restrições ao uso de carros em grandes cidades.
A recomendação ocorre em resposta ao que a entidade classifica como a maior disrupção de oferta da história do mercado de petróleo, desencadeada pela escalada militar no Oriente Médio.
As diretrizes fazem parte de um pacote emergencial voltado a conter a demanda em um cenário em que a oferta global foi abruptamente afetada.
A IEA também indicou que pode ampliar a liberação de estoques estratégicos, atualmente estimados em cerca de 1,4 bilhão de barris, como forma de mitigar os impactos imediatos da crise.
O choque energético tem origem na intensificação do conflito entre Israel e Irã, que passou a atingir diretamente ativos críticos de petróleo e gás.
O ataque ao campo de South Pars, o maior do mundo, comprometeu parte relevante da produção iraniana de gás, responsável por abastecer a maior parte da demanda interna do país e sustentar setores industriais e de geração elétrica.
Ao mesmo tempo, o fluxo de petróleo foi severamente impactado pelo risco no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo global.
Os preços internacionais reagiram rapidamente. Petróleo, gás natural e derivados como diesel, querosene de aviação e GLP registraram alta, pressionando cadeias produtivas e elevando custos para consumidores e empresas.
A volatilidade aumentou em meio à incerteza sobre a duração do conflito e a possibilidade de novos ataques à infraestrutura energética.
Na Europa, a crise dominou a agenda política. Líderes discutem medidas para conter os impactos econômicos e revisar instrumentos regulatórios, como o mercado de carbono.
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, criticou tentativas de enfraquecer políticas climáticas sob o argumento da emergência energética.
Na Ásia, empresas do setor elétrico já ampliam o uso de carvão para garantir abastecimento e reduzir custos, em um movimento que evidencia a pressão imediata sobre sistemas energéticos nacionais.
A substituição de fontes mais caras ou escassas por carvão indica um recuo pontual na transição energética.
Especialistas apontam que a crise combina três fatores críticos: interrupção física da oferta, gargalos logísticos e reação especulativa dos mercados.
Para Simon Stiell, secretário-executivo da ONU para o clima, o episódio reforça a necessidade de acelerar a transição energética e reduzir a dependência de combustíveis fósseis concentrados em regiões geopolíticas instáveis.
No curto prazo, porém, o foco permanece na contenção da crise. A orientação da IEA sinaliza que, diante da limitação das respostas do lado da oferta, a redução do consumo será determinante para evitar um agravamento ainda maior dos preços e dos impactos econômicos globais.





