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Ações da Burberry despencam e mercado de luxo fica em alerta

Desaceleração dos emergentes faz empresa revisar sua expectativa de lucro

A varejista britânica Burberry Group deu nesta terça-feira a maior indicação de que a indústria de produtos de luxo poderá enfrentar problemas nos próximos meses. A empresa alertou para uma estagnação em suas vendas e afirmou que seu lucro neste ano ficará no piso das expectativas. O anúncio fez com que os papéis da companhia despencassem 17% na Bolsa de Londres – a maior queda em quatro anos.

A Burberry informou que suas vendas (por medição feita sempre nas mesmas lojas) nas dez semanas até o dia 8 de setembro ficaram estáveis em comparação com o mesmo período do ano passado e que a razão para isso é o atual ambiente macroeconômico. A previsão da empresa para o lucro ajustado antes de impostos neste ano está na faixa entre 407 milhões de libras e 455 milhões de libras.

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Famosa pelos casacos do tipo trench coat e por bolsas de 14 mil libras (22.384 dólares), a Burberry não especificou quais foram as regiões mais afetadas pela desaceleração das vendas, mas dados apontam para o enfraquecimento da demanda na Ásia, que corresponde a cerca de 38% da receita da empresa.

A Ásia, especialmente a China, tem sido o maior motor para o crescimento dos gastos com produtos caros, mas os sinais de menor expansão da economia chinesa levaram analistas a preverem o fim da bolha do luxo.

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O diretor Financeiro do grupo, Stacey Cartwright, disse em conferência com analistas que a Burberry não é a única a passar por problemas devido à desaceleração dos emergentes e à recessão na Europa. “Outras marcas tradicionais estão sofrendo. Não estamos sozinhos”, afirmou. Os comentários foram entendidos como um sinal de que más notícias poderão chegar do olimpo das marcas de luxo nos próximos meses.

Em 2012, a LVMH – que tem entre suas marcas a Louis Vuitton – e a Hermès International, assim como a Burberry, têm relatado desaceleração nas vendas e destacado as difíceis condições econômicas, o que representa uma grande mudança em relação aos anos de crescimento do setor de luxo que desafiaram a recessão global. “É pouco provável que seja um problema de apenas uma marca”, disse o diretor da Ledbury Research, James Lawson, ao jornal ‘Financial Times’.

A Hermès, empresa de 175 anos que fabrica de bolsas de couro e lenços de seda, disse no mês passado que está difícil fazer projeções exatas sobre seu desempenho no próximo ano por causa das incertezas relacionadas às flutuações econômicas. Leia mais:

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(Com Agência Estado)