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A segurança que rende: Selic a 15% turbina a renda fixa

Com aplicações pagando juro real de dois dígitos por ano, a renda fixa se consolida na preferência do investidor — mas vale a pena olhar para a bolsa

Por Daniel Fernandes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 30 ago 2025, 08h00

A renda fixa é a nova poupança, o destino certo para quem quer aplicar o dinheiro com segurança e rentabilidade garantida sem precisar pensar se há outras opções melhores no mercado? Com a taxa básica de juros da economia, a Selic, estacionada no elevado patamar de 15% ao ano, a resposta que se impõe é “sim”. Produtos como as letras de crédito (LCI e LCA), os certificados de recebíveis (CRI e CRA) e o Tesouro Direto, assim como as debêntures incentivadas, rendem bem acima da inflação, sem o risco e a volatilidade da renda variável. Como se não bastasse, os grandes bancos oferecem opções com juro real de 10% ao ano. “A dose cavalar do remédio contra a inflação, a Selic, vai direto para o bolso do investidor”, resume Julio Ortiz, presidente da consultoria financeira CX3 Investimentos.

arte renda fixa

A renda fixa ganha ainda mais tração neste segundo semestre porque a Selic não deve cair em 2025, segundo análises de bancos como Itaú e Bradesco. As reduções devem começar só em 2026, mas a taxa básica tende a permanecer na casa de dois dígitos por um longo período, podendo cair para o intervalo entre 12,50% e 10% conforme o comportamento da inflação, da dinâmica econômica e do cenário internacional incerto imposto pelos Estados Unidos, que recentemente taxaram em 50% parte das exportações brasileiras. Entre as diferentes análises acessadas por VEJA NEGÓCIOS para a reportagem, apenas o Bank of America destoa e indica que o Banco Central, sob a presidência de Gabriel Galípolo, pode iniciar o corte em dezembro.

Enquanto a redução não vem, os investidores surfam na renda fixa. De dezembro de 2024 a junho deste ano, o crescimento nesse tipo de aplicação foi de 7%, passando de 4,3 trilhões para 4,6 trilhões de reais, segundo os dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Os CRIs cresceram 11%, LCAs, 13%, e LCIs, perto de 18%. Nas debêntures incentivadas, a alta foi de 17%. “Quando você tem uma taxa de juros alta, o investidor encontra na renda fixa rentabilidade, segurança e, muitas vezes, liquidez”, diz Luciane Effting, presidente do Fórum de Distribuição da Anbima. No site do Tesouro Direto, é possível achar opções que pagam como remuneração a inflação medida pelo IPCA acrescida de juros em torno de 7,7% ao ano. “Hoje em dia, é difícil encontrar outras classes de ativos que concorram com a renda fixa”, afirma Lucas Pereira, analista da gestora de investimentos AMW.

Ativo de infraestrutura: debêntures são destaque na renda fixa
Ativo de infraestrutura: debêntures são destaque na renda fixa (Dado Galdieri/Bloomberg/Getty Images)
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A atratividade óbvia da renda fixa, contudo, pode impedir o investidor de enxergar oportunidades na renda variável com potencial de ampliar seus ganhos. Algumas delas estão na bolsa de valores brasileira. Atualmente, a relação preço-lucro do Ibovespa é de 8,6 vezes quando se colocam na conta os papéis de Vale e Petrobras, os de maior peso no índice. Nos últimos cinco anos, essa relação foi em média de onze vezes. Ou seja, os papéis continuam baratos diante do que podem render. “A renda fixa é um excelente investimento? Sim. Ela rende muito e vai continuar assim no futuro próximo. Mas ela é melhor do que a bolsa? Na minha visão, não”, diz Marilia Fontes, sócia da gestora de recursos financeiros Nord Investimentos. A especialista aponta os ganhos que a diversificação pode trazer. Se fosse conservadora, diz ela, colocaria 10% do investimento na bolsa de valores. Se tivesse um perfil moderado, 30%, e se fosse arrojada, 55%.

A bolsa de valores brasileira iniciou o ano em torno dos 120 000 pontos e subiu bastante no primeiro semestre, quando atingiu os 141 000 pontos. O tarifaço imposto por Donald Trump a exportadores brasileiros em julho complicou um pouco as coisas. O índice caiu 4% no mesmo mês. Investir no mercado acionário, portanto, não é algo trivial. Significa saber escolher. Uma carteira teórica de ações montada no início de agosto pela Toro Investimentos, corretora mantida pelo Santander, indicava dez papéis de setores tão diversos quanto o financeiro e os de saúde e imóveis. A carteira continha Cyrela, Itaú Unibanco, Lojas Renner, Multiplan, Petrobras, Rede D’Or, Sabesp, Totvs, Vale, WEG e XP. Só que na bolsa de valores tudo pode mudar rapidamente.

Galípolo, do BC: analistas preveem Selic em 15% até o fim do ano
Galípolo, do BC: analistas preveem Selic em 15% até o fim do ano (Raphael Ribeiro/Banco Central/.)
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Um caso recente é o da ação do Banco do Brasil (BB). No começo do mês, o papel chegou a desvalorizar 7% em um único dia. É um tombo e tanto. A carteira de inadimplentes do agronegócio com o banco incomodava o mercado financeiro, que também torcia o nariz para a falta de um valor estipulado de lucro líquido, chamado de guidance, a ser perseguido pelo banco público em 2025. Ato contínuo, o BB divulgou resultados financeiros bastante ruins no segundo trimestre. O lucro de 3,7 bilhões de reais foi 60% menor do que o registrado um ano antes: 9,5 bilhões de reais. E o que estava ruim… melhorou. A presidente Tarciana Medeiros agiu. E bem. A executiva falou abertamente sobre os problemas com os inadimplentes, definiu um novo alvo para o lucro e, principalmente, contou o que pretende fazer para resolver o problema. O mercado gostou do que viu e ouviu, e as ações, também em um único dia, valorizaram mais de 4%.

É por causa de episódios como esse, de acentuada volatilidade, que a renda variável ainda assusta, sobretudo os investidores conservadores. De acordo com a Anbima, o volume de dinheiro alocado em renda variável chegou a 13% em junho, enquanto a participação da renda fixa foi de 59% — o que significa uma relação de 1 trilhão de reais para 4,6 trilhões de reais. A proporção era semelhante, por exemplo, em dezembro de 2023, quando a Selic estava em nível menor (11,75%). Ou seja, para o investidor que prefere evitar a ansiedade desse sobe e desce, o melhor, mesmo, é ficar na renda fixa.

arte renda fixa

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Nesse caso, alguns caminhos já estão desenhados. Para o Itaú BBA, títulos prefixados com prazo de três anos seguem atraentes, assim como o IPCA+ com prazo a partir de cinco anos. “Esses ativos continuam sendo as principais alternativas para capturar o processo de desinflação e desaceleração previsto para os próximos anos”, indica relatório assinado por Lucas Queiroz. A inflação oficial medida pelo IPCA em julho foi de 0,26%, abaixo da previsão vigente no mercado. Já existe a expectativa de que os preços subam menos de 5% neste ano. O documento cita ainda como opção, dentro do Tesouro Direto, o Tesouro Selic 2028. Investimento de médio prazo, ele é interessante para quem pode deixar o dinheiro rendendo até o vencimento. Colocar hoje 10 000 reais nessa opção significa obter 3 200 adicionais no período. Como sempre, na renda fixa vale muito a disciplina. O mesmo investimento inicial acrescido de aportes mensais de 1 000 reais totalizaria ao fim do período 7 500 reais de lucro líquido.

Convencer o investidor de que não deve concentrar todo o patrimônio em um único tipo de aplicação é hoje o grande desafio da Anbima. Se antes a preferência recaía sobre a poupança e, mais recentemente, migrou para a renda fixa, Luciane Effting vê espaço para novos avanços no perfil do pequeno aplicador. “Se você está 100% em renda fixa e o mercado muda, favorecendo a renda variável ou os multimercados, perderá a chance de capturar esse movimento”, afirma. Investir bem, lembra ela, significa justamente identificar o momento certo de diversificar e apostar em ativos menos óbvios.

Publicado em VEJA, agosto de 2025, edição VEJA Negócios nº 17

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