Com novas regras, Receita ‘fecha o cerco’ ao contribuinte no Imposto de Renda
Veja o que muda este ano - tributarista diz que 'nada escapa' da Receita
O contribuinte brasileiro começa a temporada do Imposto de Renda 2026 com aquela sensação conhecida: muita novidade anunciada, mas pouca mudança prática no bolso — pelo menos por enquanto. Quem ajuda a traduzir esse cenário é o advogado Kiko Omena, especialista em Direito Tributário e sócio da Veloso de Melo Advogados. Segundo ele, boa parte das regras que ganharam manchetes, como a ampliação da faixa de isenção, ainda não valem para esta declaração. Ou seja: o jogo segue, em grande parte, com as regras antigas.
Regras
Kiko Omena explica que, para 2026 (ano-calendário 2025), está isento quem recebeu até R$ 35.584 no ano. Passou disso, entra na conhecida tabela progressiva, que vai de 7,5% a 27,5%. A promessa de isenção para quem ganha até R$ 5 mil por mês e a tributação de dividendos? Ficam para depois. “Essas mudanças só terão efeito na declaração de 2027”, reforça. Em outras palavras, o contribuinte precisa separar bem o que é anúncio político do que, de fato, já virou regra.
Cashback
Outro ponto que tem gerado dúvida é o tal do “cashback” do Imposto de Renda. Aqui, nada de dinheiro novo ou benefício extra: trata-se, na prática, de uma restituição atrasada. Segundo o tributarista, o mecanismo atende quem declarou em 2024 e ainda não recebeu. “Nada mais é do que uma restituição”, resume. O pagamento será automático, desde que o contribuinte informe uma chave PIX — mais um passo da Receita para digitalizar e acelerar os processos.
Cerco da receita
E se antes muita gente ainda arriscava omitir informações, o cenário agora é outro. O especialista alerta que o cruzamento de dados está cada vez mais sofisticado. “O cerco da Receita está mais fechadinho”, diz. Com sistemas integrados a bancos e cartórios, a declaração pré-preenchida já chega recheada de informações. Isso aumenta a eficiência — mas também o risco de cair na malha fina para quem não confere os dados com cuidado. Na visão de Omena, o Brasil cobra como país desenvolvido, mas ainda entrega pouco em retorno, um contraste que ele não deixa passar: “tributa como primeiro mundo, com contrapartida de subdesenvolvimento”.
O que você precisa saber do IR 2026
–Prazo de entrega
De 23 de março a 29 de maio (mais curto que em anos anteriores)
–Quem está isento
Rendimentos até R$ 35.584 no ano de 2025
–Alíquotas
De 7,5% a 27,5% para quem ultrapassa o limite
–Apostas (bets)
Declarar ganhos acima de R$ 28.100 (sobre lucro, não aposta)
Informar saldo acima de R$ 5.000 em 31/12/2025
–“Cashback”
Restituição atrasada (não é benefício novo)
Pagamento automático via PIX
–Novos campos
Inclusão de nome social
Informação de raça/cor
-Multa por atraso
Mínimo de R$ 165,74
Pode chegar a 20% do imposto devido
–Fiscalização mais rígida
Cruzamento de dados com bancos e cartórios
Declaração pré-preenchida mais completa
Recado
No fim das contas, o recado é simples: 2026 ainda é um ano de transição. Tem novidade no papel, mas o impacto maior vai mesmo aparecer mais adiante. Até lá, vale atenção redobrada — porque, se o sistema ficou mais inteligente, o contribuinte precisa ficar também.





