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A pressão de Trump sobre Maduro funciona? O impacto da ofensiva contra o narcotráfico

Para especialista, estratégia dos Estados Unidos envia recado político, mas aumenta a incerteza geopolítica na América do Sul e afasta investimentos

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 dez 2025, 19h00 •
  • A ofensiva do governo Donald Trump contra o que chama de financiamento do regime de Nicolás Maduro por meio do narcotráfico levanta dúvidas sobre sua eficácia e acende um sinal de alerta para a estabilidade regional. A avaliação é do professor Ricardo Rocha, do Insper, em entrevista ao programa Mercado, apresentado por Veruska Donato (este texto resume o vídeo acima).

    Segundo o especialista, políticas de combate ao narcoterrorismo têm relevância simbólica e política, mas sua efetividade é limitada diante da complexidade das redes criminosas globais.

    A estratégia americana contra o narcotráfico pode dar resultado?

    Para Rocha, o combate ao narcotráfico enfrenta obstáculos estruturais. A globalização, acelerada desde o fim da Guerra Fria, não apenas integrou economias, mas também conectou organizações criminosas em escala mundial.

    Facções atuantes na América Latina mantêm vínculos com máfias internacionais, o que torna o enfrentamento isolado pouco eficaz. “Essas máfias são conectadas no mundo inteiro, não só na Venezuela”, afirmou.

    Nesse contexto, a ação dos Estados Unidos funciona mais como um recado político — de que Washington está atento ao tema — do que como uma solução concreta para desarticular o crime organizado transnacional.

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    A pressão sobre Maduro: motivação política

    Além do narcotráfico, o professor aponta que pesa sobre Nicolás Maduro a contestação internacional sobre a legitimidade das últimas eleições venezuelanas. O processo eleitoral foi marcado por forte assimetria de poder e ausência de garantias democráticas.

    Esse cenário amplia a pressão externa sobre o regime venezuelano e ajuda a explicar a escalada retórica e militar dos Estados Unidos, ainda que sem clareza sobre os desdobramentos práticos dessa estratégia.

    O que muda no cenário geopolítico da América do Sul?

    Rocha destaca que, até recentemente, a América do Sul vivia um ambiente geopolítico relativamente estável, independentemente da orientação ideológica dos governos da região. Diferentemente da Europa ou da Ásia, conflitos fronteiriços e tensões militares não faziam parte do cotidiano regional.

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    Esse quadro começa a mudar. O envio de tropas e equipamentos militares brasileiros para a região Norte é citado como exemplo de uma preocupação crescente com possíveis desdobramentos do conflito envolvendo Venezuela e Estados Unidos.

    Qual é o impacto para investimentos e economia?

    O aumento da instabilidade regional, segundo o professor, gera insegurança e afasta investidores estrangeiros. Em um cenário global no qual o hemisfério Norte concentra cerca de 65% do PIB mundial, países como o Brasil já enfrentam dificuldades para atrair capital externo.

    A elevação do risco geopolítico torna essa disputa ainda mais desigual. “Sem esses investimentos de fora, a economia brasileira não se movimenta”, alertou Rocha.

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    Há risco de escalada do conflito?

    Embora reconheça a pressão militar americana, o especialista pondera que uma escalada mais ampla seria prejudicial para todos os envolvidos. Ele faz um paralelo histórico e afirma que a América do Sul não pode se transformar em um novo Vietnã, sob pena de aprofundar a instabilidade, a incerteza econômica e o isolamento internacional.

    Para Rocha, a ofensiva de Trump revela uma agenda pessoal de combate ao narcotráfico e ao narcoterrorismo, mas seus efeitos colaterais sobre a região podem ser duradouros e difíceis de controlar.

    VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Mercado (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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